Trump diz não ter planos de se reunir com Flávio Bolsonaro e afirma que senador pode ficar nos EUA
Republicano criticou resultado da eleição presidencial brasileira em comício; permanência de parlamentar pode enfrentar pressão democrata no Congresso americano
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, G1, ICL Notícias, Metrópoles, UOL Notícias). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (31) que não tem planos de se encontrar com o senador brasileiro Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O líder republicano declarou, no entanto, que o parlamentar pode permanecer em território norte-americano "o tempo que quiser".
A declaração ocorreu durante um comício de campanha para as eleições legislativas de meio de mandato, em Rock Hill, na Carolina do Sul. No evento em apoio à senadora republicana Darline Graham, Trump atacou o processo eleitoral do Brasil ao comentar a situação do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
"Na minha opinião, a eleição foi uma vergonha. Ele foi muito maltratado. E pode ficar aqui o tempo que quiser", afirmou o republicano, ao comentar a derrota de Flávio para Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial.
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil e viajou rumo aos Estados Unidos nesta semana. A viagem ocorreu após a confirmação do resultado eleitoral e depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), incluir o passaporte do senador em um pedido de apreensão judicial.
Apesar do sinal público de acolhimento dado por Trump, o presidente adota um tom distinto com o senador em relação a outros nomes da direita internacional ao descartar uma reunião direta. Enquanto esteve no palanque, o norte-americano limitou-se a garantir a estadia do aliado sem agendar compromissos oficiais ou conversas bilaterais.
Disputa eleitoral e risco de investigação no Congresso
A permanência de Flávio nos Estados Unidos pode enfrentar resistências políticas caso o Partido Democrata vença as eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para novembro. Pesquisas eleitorais apontam os democratas como favoritos para assumir o controle da Câmara dos Deputados e com chances reais de avanço no Senado.
O Congresso norte-americano não possui poder jurídico para determinar a deportação direta do senador brasileiro. Esse tipo de medida cabe exclusivamente ao Poder Executivo. As autorizações e cancelamentos de vistos diplomáticos ou de turismo ficam sob a alçada direta do Departamento de Estado, comandado pelo secretário Marco Rubio.
Uma vitória democrata nas urnas abriria caminho para investigações parlamentares sobre as decisões migratórias da gestão Trump. Congressistas da oposição podem convocar Marco Rubio a depor para esclarecer se o senador recebeu tratamento privilegiado para entrar e permanecer no território americano.
As apurações legislativas também teriam poder para verificar se integrantes da Casa Branca prestaram assistência para a saída do parlamentar do Brasil. Analistas políticos ponderam que esse caso não deve figurar entre as prioridades centrais dos democratas no plenário, já que o partido pretende focar na pauta de custo de vida e na economia antes da eleição presidencial de 2028.
Flávio Bolsonaro embarcou para os Estados Unidos após ser derrotado nas urnas por Luiz Inácio Lula da Silva na eleição presidencial brasileira. O senador viajou no mesmo momento em que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, emitiu uma determinação formal para a apreensão de seu passaporte. A permanência do parlamentar no exterior agora depende da política migratória da gestão Donald Trump e do equilíbrio de forças no parlamento norte-americano.