Diplomacia busca acordo comercial com Washington após reeleição de Lula e fuga de Flávio Bolsonaro
Enquanto canais oficiais discutem tarifas de até 37,5% sobre produtos brasileiros, governo adota tom pragmático com Donald Trump e eleva pressão sobre Javier Milei.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, Estadão, R7, UOL Notícias, VEJA). Novos desdobramentos a qualquer momento.
A diplomacia do Brasil e dos Estados Unidos mantém canais abertos de negociação econômica e política após o encerramento da eleição presidencial brasileira. O movimento ocorre em meio à saída de Flávio Bolsonaro do país rumo ao território norte-americano, após passagem pela Argentina.
O foco central das conversas bilaterais entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump voltou a se concentrar nas tarifas impostas a produtos brasileiros. Segundo levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, as sobretaxas do governo americano atingem cerca de 23,1% das exportações do Brasil para os Estados Unidos, com alíquotas que chegam a 37,5% em itens específicos.
Na prática, essas tarifas encarecem a venda de bens industriais e agrícolas brasileiros no mercado externo. A taxa funciona como um imposto cobrado na alfândega dos Estados Unidos, reduzindo a competitividade das empresas nacionais e pressionando as margens de lucro dos exportadores.
Os dois países acertaram a formação de um grupo de trabalho para buscar um acordo comercial em setembro. A expectativa em Brasília é que o representante comercial americano, Jamieson Greer, apresente em novembro uma proposta com as exigências de Washington sobre medidas tarifárias e barreiras comerciais.
O primeiro encontro formal entre Lula e Trump após a disputa eleitoral pode ocorrer na cúpula do G20, marcada para 14 e 15 de dezembro, em Miami. Antes disso, o chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado indicado, Marco Rubio, reuniram-se em Atlanta, no estado da Geórgia, durante encontro preparatório de chanceleres.
A postura pública de Washington contrasta com as tensões eleitorais. Donald Trump chegou a bancar o avião e o visto para a entrada de Flávio, da esposa e das filhas nos Estados Unidos a partir do território argentino. Trump colocou o resultado da eleição em dúvida pública, dizendo que o pleito "parecia fraudulento" e que foi "uma vergonha", mas pontuou logo depois: "Gosto muito do Lula, me dou bem com ele".
Trump afirmou ainda que não tomou partido no pleito a pedido direto do próprio presidente brasileiro. Paralelamente, a Embaixada dos Estados Unidos classificou o resultado das urnas como definitivo e impressionante.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, declarou sobre o novo momento institucional que a eleição acabou e o caminho agora é olhar para a frente.
Tensões diplomáticas entre Brasília e Buenos Aires
O governo federal adotou tratamentos diferentes para a atuação dos governos da Argentina e dos Estados Unidos no episódio da saída do senador do país. O Itamaraty convocou a representante da embaixada argentina em Brasília para prestar esclarecimentos formais. Veículos de imprensa da Argentina relataram que o congressista utilizou carros camuflados e jatos na viagem.
O governo de Javier Milei não reconheceu o resultado das eleições presidenciais brasileiras. Diante desse distanciamento, Lula avalia convidar para a cerimônia de sua posse, em janeiro, o governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, cotado como nome do peronismo para as próximas eleições, e o ex-ministro Sergio Massa.
O Itamaraty prevê encaminhar o convite formal a Milei, mas a avaliação interna no Palácio do Planalto considera remota a possibilidade de o mandatário argentino viajar ao Brasil.
Em Washington, Marco Rubio negou que o governo dos Estados Unidos tenha auxiliado Flávio Bolsonaro a sair do território brasileiro. O vice-presidente Geraldo Alckmin e o Itamaraty mantêm os contatos diplomáticos regulares com os setores de comércio exterior do governo norte-americano.
O quarto mandato do governo Lula terá uma agenda internacional que reúne barreiras alfandegárias, atração de investimento estrangeiro e a presidência de debates globais.
A articulação entre partidos da extrema-direita americana e o clã Bolsonaro vinha influenciando a retórica em torno das instituições nacionais e do comércio externo. Em contrapartida, os canais de Estado entre o Itamaraty e os órgãos comerciais norte-americanos buscaram preservar acordos econômicos bilaterais para evitar perdas a setores produtivos exportadores que dependem do mercado dos Estados Unidos.