Ação popular pede suspensão de salário e verbas de Flávio Bolsonaro após fuga para os EUA
Advogados acionam a Justiça Federal contra repasses do Senado; congressista viajou em operação com jatos particulares e apoio externo
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Estadão, G1, Gazeta do Povo, Poder360, UOL Notícias). Novos desdobramentos a qualquer momento.
Dois advogados protocolaram na 6ª Vara Federal do Rio de Janeiro uma ação popular para suspender o pagamento de subsídios e verbas do Senado a Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A medida foi apresentada nesta sexta-feira (31), após o parlamentar viajar para os Estados Unidos com a família.
Os autores da ação, Leonardo Nicolau Passos Marinho e Rodrigo da Silva Roma, solicitam o bloqueio imediato do salário, da verba de gabinete, do auxílio-moradia e da cota parlamentar (CEAPS). Na petição, os advogados sustentam que a permanência do senador fora do país inviabiliza o trabalho legislativo e causa prejuízo aos cofres públicos, além de violar a moralidade administrativa.
Segundo os advogados, manter a estrutura do gabinete enquanto o congressista afirma que pretende liderar a oposição a partir do exterior representa desvio de finalidade do dinheiro público. A defesa de Flávio Bolsonaro não respondeu aos pedidos de esclarecimento da imprensa até o momento.
A saída de Flávio Bolsonaro do Brasil ocorreu na terça-feira (27), dois dias após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais. Na votação de 25 de outubro de 2026, Luiz Inácio Lula da Silva venceu a disputa com 64.256.232 votos (51,79%), superando os 59.826.041 votos (48,21%) recebidos pelo senador do PL.
O parlamentar viajou acompanhado da esposa e de duas filhas adolescentes. Em declarações públicas, Flávio afirmou que decidiu deixar o território brasileiro para se proteger de perseguição e censura diante de ordens judiciais do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Logística de fuga e rotas pela fronteira
Sete minutos após a proclamação oficial do resultado da eleição pelo Tribunal Superior Eleitoral, a Polícia Federal pediu a retenção do passaporte do senador. O ministro Alexandre de Moraes acolheu a solicitação da autoridade policial, determinando o confisco dos documentos e vetando a saída do país.
Apesar da proibição de deixar o Brasil, Flávio não é considerado foragido pela Justiça, pois não havia mandado de prisão preventiva ou condenação criminal expedida contra ele. A Polícia Federal apura a dinâmica do deslocamento para checar se houve auxílio ilegal durante a evasão.
O deslocamento da família começou por terra em um trajeto de cerca de 1,6 mil quilômetros, saindo de Brasília com destino a Puerto Iguazú, na Argentina. Seis automóveis saíram da residência do senador em sequência na capital federal para despistar eventuais monitoramentos de segurança.
O senador tentou alugar um jato executivo em Brasília, mas o proprietário cancelou o contrato após a divulgação das restrições judiciais. O esquema de transporte contratou pelo menos três jatos particulares de alto custo, com uma quarta aeronave mantida de reserva no Paraguai e na província argentina de Misiones.
Os múltiplos aviões voaram em horários próximos para confundir os sistemas de rastreamento sobre qual veículo levava os passageiros. O jato que realizou o transporte fez uma parada técnica no Equador antes de completar a viagem rumo à cidade de Miami.
Envolvimento diplomático e articulação nos EUA
O governo da Argentina, chefiado pelo presidente Javier Milei, deslocou um assessor de confiança para acompanhar as movimentações na província de Misiones. O assessor Santiago Caputo manteve contato telefônico com Eduardo Bolsonaro, que mora nos Estados Unidos desde 2025, para ajustar a recepção.
O veículo da família entrou na área restrita do aeroporto de Puerto Iguazú por um acesso secundário da pista de pouso. Representantes estrangeiros coordenaram o procedimento no terminal e afastaram integrantes da Polícia de Segurança Aeroportuária e fiscais de imigração para embarcar o grupo na aeronave prefixo LV-JQW, fretada da empresa Baires Fly.
O assessor temporário da Casa Branca, Jason Miller, foi o encarregado de providenciar a aeronave particular para o transporte da família, segundo publicações da imprensa norte-americana. Miller visitou o Brasil em 2021, período em que manteve reuniões com Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro.
O Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, declarou neste sábado (31) que o governo norte-americano "não se envolveu diretamente" no planejamento da viagem. Rubio disse que Donald Trump autorizou previamente a permissão de permanência temporária (o chamado parole humanitário) caso o senador cruzasse a fronteira norte-americana.
A movimentação no aeroporto gerou cobranças de parlamentares do Partido Democrata no Congresso americano, que pediram esclarecimentos formais sobre a atuação de assessores do governo. Marco Rubio informou que discutirá temas bilaterais com o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, durante a cúpula do G7 na França.
A saída de Flávio Bolsonaro ocorreu dois dias após a vitória eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da eleição de 2026, na terça-feira (27 de outubro), enquanto o pedido da PF para apreensão do passaporte havia sido expedido apenas 7 minutos após o resultado. O ministro Alexandre de Moraes determinou a apreensão do passaporte do parlamentar a pedido da Polícia Federal, impedindo sua saída do território nacional. A movimentação para a Flórida contou com o apoio de membros do governo argentino de Javier Milei e de assessores ligados a Donald Trump, o que gerou pedidos de suspensão de sua remuneração e cobranças de parlamentares norte-americanos sobre a legalidade dos procedimentos de imigração.