Especialista turca avalia que eleições nos EUA não devem mudar política de Trump para a Rússia
Segundo a agência estatal russa TASS, a especialista turca em segurança internacional Canan Tercan prevê que Trump mantenha o diálogo com Moscou e busque o fim da guerra na Ucrânia.
A especialista turca em segurança internacional Canan Tercan avalia que as eleições legislativas dos Estados Unidos não devem provocar mudanças significativas na política do governo de Donald Trump em relação à Rússia. A análise foi publicada pela agência estatal russa TASS, em Istambul, no dia 5 de novembro.
Segundo Tercan, a condução de Trump com Moscou se baseia mais em ganhos econômicos, parceria estratégica e diplomacia pessoal do que em polarização ideológica. Para ela, o presidente quer manter canais de diálogo abertos com a Rússia, retomar áreas de cooperação econômica e encerrar a guerra na Ucrânia.
De acordo com a especialista, a visão de Trump tem como eixo o lucro. Ela citou os recursos energéticos russos, as riquezas do subsolo asiático e rotas de transporte como o Corredor Médio, também chamado de Rota Internacional de Transporte Transcaspiano, e a Rota do Mar do Norte, que ofereceriam oportunidades econômicas e geopolíticas aos norte-americanos.
A especialista também considera que Trump prefere cooperar com grandes potências a concentrar esforços na Europa e adotar uma postura dura contra Moscou. Segundo ela, um possível encontro trilateral entre Trump, o presidente russo Vladimir Putin e o líder chinês Xi Jinping permitiria discutir novos equilíbrios econômicos e estratégicos.
Tercan reconhece, porém, que o resultado das eleições de meio de mandato, realizadas em 3 de novembro, pode limitar a margem de manobra do presidente. Essas eleições renovam parte do Congresso, período em que o país escolhe para o cargo de governador a maioria dos estados. Os americanos elegeram 35 dos 100 senadores e todos os 435 deputados da Câmara, além de governadores em 36 estados.
Segundo estimativas recentes de veículos de mídia dos EUA, citadas pela TASS, o Partido Democrata deve conquistar a maioria das cadeiras nas duas casas do novo Congresso. Hoje, os republicanos controlam o Senado e a Câmara.
Para a especialista, uma bancada democrata mais forte poderia dificultar a agenda de Trump em temas como orçamento, sanções contra a Rússia, apoio à Ucrânia, sistema judicial e indicações de embaixadores. Ela lembrou que o presidente pode usar o veto, isto é, rejeitar uma lei aprovada pelo Congresso, mas que negociações intensas com os parlamentares seriam prováveis.
Tercan deu um exemplo de possível acordo: os democratas poderiam exigir o fim de sanções contra a Rússia em troca de negociações fechadas sobre a redução de tarifas americanas para países da União Europeia, ou de flexibilidade na política migratória. Nesse cenário, a especialista acredita que Trump poderia preferir o acordo com o Congresso ao veto.
Fontes: TASS — “US elections won’t lead to significant changes in Trump’s policy toward Russia — expert”.