Edinho Silva prega expulsão de ala do PT com aval de Lula, diz Folha
Presidente do partido fala em "divórcio litigioso" com o chamado "centrão petista"; Washington Quaquá é apontado como primeiro alvo.
🚨 PLANTÃO GAZETA — notícia em desenvolvimento, escrita a partir da cobertura da Folha de S.Paulo e do Poder360. As fontes estão no fim do texto; esta página pode ser atualizada.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, defendeu um "divórcio litigioso" com integrantes do partido apelidados de "centrão petista", ou seja, a expulsão deles da sigla. A declaração foi feita no discurso de encerramento de uma reunião da Executiva, segundo a Folha de S.Paulo, que afirma que o dirigente age com aval do presidente Lula.
Edinho contou ter saído de um café com Lula e conversado com ele na véspera sobre o futuro do partido. Repetindo uma avaliação atribuída ao presidente, disse que o PT não deve ser instrumento de projeção e enriquecimento pessoais, mas um projeto coletivo. Ele também propôs a formação de uma nova maioria dentro da legenda.
Para os participantes da reunião, o recado significa que Lula deu a Edinho a tarefa de expulsar opositores internos. O primeiro alvo, segundo eles, é o vice-presidente do PT Washington Quaquá, prefeito de Maricá (RJ), cidade onde Lula perdeu nos dois turnos da eleição.
O filho de Quaquá, Diego Zeidan, é presidente do PT do Rio. Depois do primeiro turno, ele viajou para a Bahia, o que exigiu uma intervenção na coordenação da campanha de Lula no estado do Rio.
Quaquá reage e chama Edinho de mentiroso
Procurado pela Folha, Quaquá afirmou que toda a campanha de Lula no Rio foi feita por ele. Disse que seu filho se afastou por quatro dias, seguindo orientação médica, após um pico de pressão. O prefeito também chamou Edinho de mentiroso, incompetente e fofoqueiro.
Segundo o jornal, Quaquá afirmou ainda que Edinho estaria com medo de disputar a sigla com ele. Na resposta, o prefeito declarou:
"Eu tenho tanto ou mais tempo de PT que ele. Com a diferença que sou de favela. Se alguém tem que sair do PT e ir para o PSOL é ele. Eu sou PT raiz."
A Folha lembra que Quaquá já foi alvo de pedidos de expulsão na comissão de ética do partido. As solicitações são motivadas por posicionamentos controversos, como a defesa de Domingos Brazão, apontado como mandante do assassinato de Marielle Franco, e de uma operação policial que deixou 120 mortos no Rio. Esses pedidos não avançaram.
Em mensagens de grupo, Quaquá se opôs à reunião e tentou abrir uma dissidência contra Edinho. Petistas ouvidos pelo jornal, porém, afirmam que ele não é o único na mira de Lula. Segundo os relatos, o presidente mantém arquivados panfletos de campanha de petistas sem o seu nome e quer que esses correligionários sejam enquadrados.
Em entrevista ao Poder360, Edinho disse que o PT "não pode continuar convivendo com um amontoado de projetos pessoais". Afirmou que, em algumas situações, a legenda virou "um ajuntamento de mandatos", com mais poder do que as próprias instâncias partidárias. Ele não citou nomes e condenou práticas patrimonialistas, em que a estrutura partidária atende a "interesses pessoais".
Na mesma entrevista, Edinho reconheceu problemas na campanha presidencial, como a dificuldade de levar materiais aos estados. Segundo ele, a produção foi descentralizada, o que não funcionou, e depois concentrada nos grandes centros. O dirigente afirmou que os acertos e erros da coordenação são responsabilidades coletivas. O Poder360 informou que o PT terá 70 deputados federais a partir de 2027.
Nas fontes apuradas não há outros antecedentes verificados sobre o tema.
Fontes: Folha de S.Paulo — “Com aval de Lula, presidente do PT atua para expulsar grupo apelidado de 'centrão' do partido”; Poder360 — “PT deve abandonar projetos pessoais, diz Edinho Silva”.