Comboio retira civis de cidade ucraniana ocupada em trégua negociada com a Rússia

Moradores de Oleshky deixaram a área da linha de frente em 25 ônibus e puderam optar entre seguir para a Rússia ou retornar à Ucrânia por rota de 1.600 km

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O presidente Volodymyr Zelensky durante entrevista em Nova York (imagem de arquivo).
Foto: Xuthoria / CC BY-SA 4.0 via Wikimedia Commons
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Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, Folha de S.Paulo, G1, Poder360, VEJA). Novos desdobramentos a qualquer momento.

Oleshky — Um comboio de 25 ônibus e nove ambulâncias retirou civis da cidade ucraniana de Oleshky, que está sob ocupação das forças militares russas, em uma operação humanitária conjunta realizada neste sábado (31). O comboio entregou remédios e mantimentos aos habitantes e transportou as famílias que aceitaram deixar o município, situado na margem leste do rio Dniepre, no sul da Ucrânia.

Os moradores retirados puderam escolher o destino de acolhimento. As autoridades organizaram a divisão dos evacuados entre os que decidiram migrar para território russo e os que preferiram retornar às regiões sob controle do governo da Ucrânia. O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky confirmou que os primeiros cidadãos que optaram por voltar ao país concluíram a viagem e entraram no território nacional.

A população que escolheu retornar à Ucrânia enfrentou um trajeto indireto de mais de 1.600 quilômetros. Embora a cidade esteja a apenas cinco quilômetros das posições ucranianas em Kherson, na outra margem do rio, a presença de minas terrestres e drones de combate impede a travessia frontal. O deslocamento seguiu de ônibus até a Crimeia, península anexada pela Rússia em 2014, e parou na cidade de Armyansk para a triagem dos passageiros.

De Armyansk, os veículos transportaram o grupo até Anapa, no sul da Rússia. Os civis embarcaram em três aviões com destino a Gomel, em Belarus, segundo informou a agência estatal Belta. De solo bielorrusso, os evacuados cruzaram a fronteira de ônibus para alcançar a região ucraniana de Chernihiv. O chefe do gabinete presidencial da Ucrânia, Kyrylo Budanov, e o parlamentar David Arakhamia confirmaram o esquema de trânsito montado entre os países.

Crise humanitária e rota de 1.600 quilômetros

A cidade de Oleshky registrou uma queda populacional severa desde o início da guerra, em fevereiro de 2022. O município tinha mais de 24 mil habitantes antes da invasão e hoje abriga cerca de 2 mil moradores. A área sofreu danos estruturais graves e inundações causadas pelo rompimento da barragem de Kakhovka, ocorrido rio acima em junho de 2023.

Ursula von der Leyen e o presidente Volodymyr Zelensky durante visita oficial à Ucrânia (imagem de arquivo).
Ursula von der Leyen e o presidente Volodymyr Zelensky durante visita oficial à Ucrânia (imagem de arquivo). (Foto: Europäische Kommission - Audiovisueller Dienst, Christophe Licoppe, Yügen, CE - / CC BY 4.0 via Wikimedia Commons)

Moradores relataram a escassez aguda de água e de alimentos básicos durante os meses de ocupação. Habitantes disseram que chegaram a caçar pombos para conseguir comer e que sobreviviam com o equivalente a uma xícara de arroz ou trigo-sarraceno por dia. As pessoas precisavam atravessar trechos cercados de explosivos, conhecidos na região pelo nome de "estrada da morte", para buscar mantimentos essenciais.

A comissária de direitos humanos da Rússia, Yana Lantratova, e o ouvidor de direitos humanos da Ucrânia, Dmytro Lubinets, acompanharam o embarque dos passageiros e conversaram com a população local. A operação transcorreu sem registro de confrontos ou incidentes na linha de contato militar, embora Lubinets tenha alertado que muitos civis ainda optaram por permanecer nas suas casas no município.

A televisão estatal russa veiculou imagens de caixas de doações humanitárias com símbolos nacionais do país. Os pacotes eram carregados por voluntários com camisetas com os dizeres "Equipe de Putin — Frente Popular". As autoridades não divulgaram o total exato de pessoas resgatadas no comboio.

Disputas diplomáticas e continuidade das hostilidades

O cessar-fogo pontual firmado para a saída dos civis representou a trégua de maior duração em uma área de combate desde o começo da guerra. Moscou e Kiev atribuíram o sucesso da mediação das conversas a Melania Trump. O papa Leão XIV também participou das tratativas preliminares que viabilizaram as garantias de segurança no trajeto.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha informou que não recebeu convite para atuar na logística da ação humanitária, mas declarou prontidão para fornecer apoio aos cidadãos. A Organização das Nações Unidas também confirmou que não recebeu solicitação formal dos governos envolvidos para intervir no transporte.

O governo russo tratou a desocupação como uma situação de exceção e negou que a operação aponte avanço nas negociações gerais para o encerramento do conflito. Ataques aéreos e bombardeios russos atingiram sete regiões ucranianas durante a noite, incluindo Kiev e Dnipro. As negociações diretas de paz, mediadas pelo governo dos Estados Unidos, têm previsão de retomada em novembro, após nove meses de paralisação.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

Tropas da Rússia ocuparam Oleshky nos primeiros dias da invasão em larga escala, em fevereiro de 2022, fixando posições defensivas na margem oriental do rio Dniepre, em frente à capital regional de Kherson. O isolamento da população civil aumentou após a destruição da represa de Kakhovka em junho de 2023, episódio que inundou dezenas de comunidades ribeirinhas e multiplicou a presença de minas terrestres arrastadas pelas águas ao longo da linha de frente.