Willian José é afastado pelo Bahia após compartilhar vídeo com ataques ao Nordeste
Técnico Rogério Ceni confirmou que atacante fica fora de partida após repercussão de publicação com críticas à região.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (ESPN Brasil, Estadão, G1, UOL, ge). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O atacante Willian José foi afastado do elenco do Bahia e está fora da próxima partida da equipe. A decisão da diretoria ocorreu após o jogador compartilhar nas redes sociais um vídeo com ofensas e críticas ao Nordeste, região que registrou 24.450.432 votos para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da eleição presidencial, totalizando 64.256.232 sufrágios nacionais no pleito de 2026. A publicação repercutiu negativamente entre os torcedores e motivou também a abertura de uma investigação formal pelo Ministério Público da Bahia.
O caso ganhou visibilidade nacional na última terça-feira, 28 de outubro de 2026, quando o técnico Rogério Ceni abordou o assunto na chegada ao estádio. O treinador classificou o episódio como delicado e explicou que a cúpula do clube tomou a iniciativa de preservar o atleta do confronto. Ceni ponderou que a atitude não reflete o pensamento da instituição e nem mesmo a visão do próprio jogador, que é natural de Alagoas, mas reforçou a necessidade de uma retratação pública urgente.
O pronunciamento oficial do comando técnico
Ao falar sobre o afastamento, Rogério Ceni detalhou os motivos que levaram a comissão técnica e a direção a barrar o centroavante do jogo. O comandante do time baiano ressaltou que a situação gerou um peso considerável no ambiente interno do clube, exigindo uma resposta institucional imediata diante da gravidade da acusação de xenofobia.
"A direção me comunicou ontem sobre o fato dele não estar presente no jogo. Logicamente que é sempre triste, pesado, não é como negar a seriedade do assunto. Então o Willian está fora do jogo de hoje. Eu acho que não é o que o Bahia pensa, acho que não é nem o que o Willian pensa, para ser sincero. Não é o que eu penso, o que o Bahia pensa, às vezes um momento de descuido", declarou o treinador na chegada ao estádio.
Ceni também argumentou que o atleta possui histórico positivo no trato pessoal, mas reiterou que o momento exige isolamento temporário dos gramados para reflexão. "Acho que ele tem que, o mais breve possível, tentar explicar. Juro mesmo, acho que não é o que ele pensa, é um menino bom, que ajuda muita gente, eu sei disso né?! Por isso hoje nós preferimos deixar ele fora dessa partida. É um tempo para reflexão, e tentar de alguma maneira corrigir porque de fato é um assunto sério", completou o técnico.
Investigação aberta pelo Ministério Público
Paralelamente à punição esportiva aplicada pelo clube, o Ministério Público da Bahia instaurou um procedimento investigatório na última segunda-feira, 26 de outubro, para apurar a suspeita de prática de crime de xenofobia. A apuração corre na Promotoria de Justiça de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa, órgão responsável por analisar condutas discriminatórias baseadas na origem geográfica dos cidadãos.
O foco da investigação policial e ministerial recai sobre a republicação de um vídeo gravado por um influenciador digital. Na gravação compartilhada pelo atleta no último domingo (25), logo após o desfecho do segundo turno eleitoral, o autor do material utilizou termos pejorativos ao citar o Nordeste como o "câncer do país". A postagem gerou revolta imediata na internet e críticas severas da torcida tricolor, que cobrou punições severas do clube nordestino.
Apesar da repercussão e da pressão popular, Willian José optou por se explicar por meio de novas postagens nas redes sociais nas quais tentou defender o conteúdo original compartilhado. A defesa do jogador não convenceu nem os torcedores e nem a diretoria. O Ministério Público informou que ainda não existe um prazo definitivo para a conclusão da investigação, que seguirá ouvindo as partes envolvidas e analisando o material digital disseminado pelo atleta.
O crime de xenofobia, assim como o racismo, é imprescritível e inafiançável na legislação brasileira conforme as atualizações jurídicas recentes. Clubes de futebol profissional têm adotado posturas mais firmes de afastamento preventivo para preservar suas marcas corporativas e evitar a associação institucional com discursos de ódio e preconceito regional, que historicamente afetam a dignidade da população nordestina.