Governo da Venezuela anuncia devolução de ativos estatais a privados e antigos donos

Em pronunciamento oficial, presidente interina Delcy Rodríguez confirma avanço na entrega de bens e promete novas eleições.

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Governo da Venezuela anuncia devolução de ativos estatais a privados e antigos donos
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, G1, Gazeta do Povo, Poder360, UOL Notícias). Novos desdobramentos a qualquer momento.

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou nesta quarta-feira que o governo vai oferecer ativos estatais ao setor privado e devolver bens a antigos proprietários. A declaração ocorreu durante pronunciamento televisionado em Caracas, onde a mandatária afirmou que o processo de avaliação dos bens não essenciais detidos pelo Estado já está bem avançado.

O movimento consolida a guinada econômica promovida no país sul-americano desde a captura e prisão do ex-líder Nicolás Maduro pelas forças dos Estados Unidos em janeiro deste ano. A medida reversiva atinge diretamente pilares do modelo estatal que vigorou por mais de duas décadas sob a bandeira do chavismo.

"Dei instruções para que os bens não essenciais detidos pelo Estado sejam avaliados a fim de determinar quais podem ser oferecidos ao setor privado ou devolvidos aos seus antigos proprietários. Esse processo já está bem avançado", declarou Delcy em rede nacional.

Mudança drástica no setor petrolífero e nas relações diplomáticas

A abertura econômica iniciou-se formalmente em janeiro, quando o Legislativo venezuelano aprovou a entrada da iniciativa privada no setor de petróleo. Em agosto, um acordo bilateral com os Estados Unidos permitiu que empresas norte-americanas passassem a operar campos petrolíferos em território venezuelano, garantindo o fluxo de investimentos estrangeiros.

Nos bastidores de Washington e Caracas, analistas apontam que a gestão interina tenta evitar qualquer confronto aberto com a administração de Donald Trump. O líder norte-americano declarou anteriormente que controlava a geopolítica local e que aos vencedores pertencia o espólio. A postura contrasta com a retórica anti-imperialista tradicional do movimento chavista, mas garante o fôlego financeiro necessário para a recuperação do país.

A oposição liderada por María Corina Machado e Edmundo González Urrutia pressiona por novas eleições presidenciais em 2027. Diante disso, Delcy prometeu que o pleito ocorrerá sob a tutela de um Conselho Nacional Eleitoral renovado e com fiscalização internacional, embora o calendário oficial dependa de reformas institucionais profundas.

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, durante pronunciamento oficial em Caracas.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, durante pronunciamento oficial em Caracas. (Foto: Leonardo Fernandez Viloria/Reuters)

Balanço de anistia e promessas de reformas institucionais

No mesmo discurso, a líder interina apresentou um balanço da lei de anistia aprovada em fevereiro. Segundo os dados oficiais divulgados pelo governo, quase nove mil pessoas foram beneficiadas pela medida, enquanto pouco mais de mil cidadãos recuperaram a liberdade por meio de instrumentos legais e de perdão político.

Delcy também reconheceu abusos na aplicação da chamada Lei contra o Ódio, aprovada em 2017. A legislação serviu durante anos para criminalizar adversários políticos. A presidente interina pediu ao Parlamento que acelere a reforma da norma e prometeu revisar processos criminais abertos sob a vigência da antiga regra.

"Dei instruções aos órgãos de segurança para que nenhuma pessoa seja detida sem ordem judicial, salvo nos casos de flagrante delito", garantiu Rodríguez, em aceno às organizações de direitos humanos que denunciam prisões arbitrárias no país há anos.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

A crise política e econômica na Venezuela intensificou-se drasticamente após a intervenção militar dos Estados Unidos em janeiro de 2026, que resultou na prisão do ex-ditador Nicolás Maduro. Desde então, o governo interino de Delcy Rodríguez tenta renegociar acordos energéticos globais, abrir mercados internos para conter a hiperinflação e responder às pressões internacionais por redemocratização e respeito aos direitos humanos.