Valdemar Costa Neto recebe Michelle Bolsonaro para definir rumos do PL após saída de Flávio

Em meio à crise jurídica de Flávio Bolsonaro, presidente do PL busca realinhamento interno e estratégia para a disputa das presidências da Câmara e Senado.

Compartilhar
Valdemar Costa Neto recebe Michelle Bolsonaro para definir rumos do PL após saída de Flávio
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (G1, Gazeta do Povo, PlatôBR, R7, Terra). Novos desdobramentos a qualquer momento.

O presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, reuniu-se nesta terça-feira (27) com a senadora eleita Michelle Bolsonaro. O encontro ocorreu em Brasília, logo após a confirmação de que o senador Flávio Bolsonaro deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos. A pauta oficial do encontro tratou do futuro da legenda e dos desafios legislativos para o próximo período.

Valdemar divulgou uma foto ao lado de Michelle nas redes sociais para sinalizar unidade. O dirigente afirmou que o partido segue com diálogo e compromisso com o Brasil. A reunião ocorre em um momento de tensão interna, marcada por desentendimentos públicos entre Michelle e o enteado, Flávio Bolsonaro. O senador enfrenta investigações por lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas.

Reorganização estratégica no Congresso

O PL detém a maior bancada do Senado, com 29 cadeiras, e uma das maiores forças na Câmara, com 121 deputados federais. A saída de Flávio Bolsonaro do país altera o xadrez político da sigla. O partido precisa agora definir sua estratégia para as eleições das presidências da Câmara e do Senado. O controle dessas casas é fundamental para ditar a pauta de votações e a relação com o governo federal.

Apesar da força numérica, o PL não possui maioria absoluta para eleger os presidentes das casas legislativas sozinho. A legenda precisa construir alianças com outros partidos. Na Câmara, o atual presidente, Hugo Motta (Republicanos-PB), consolidou um bloco de apoio que soma 273 deputados. Esse grupo inclui siglas como União Brasil, PP, PSD, PSB e PDT, o que dificulta a viabilização de uma candidatura alternativa do PL sem acordos prévios.

O parlamentar do PL, que preferiu não se identificar, afirmou que a cúpula do partido deve reunir todos os congressistas em breve. O objetivo é estabelecer diretrizes claras de atuação. O partido busca manter o alinhamento com o campo conservador, mas a condução política ainda depende de decisões da direção nacional. No Senado, a disputa é considerada mais delicada, dado o apoio do atual presidente, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), ao governo Lula.

Valdemar Costa Neto e Michelle Bolsonaro em reunião no diretório do PL em Brasília.
Valdemar Costa Neto e Michelle Bolsonaro em reunião no diretório do PL em Brasília. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

O esvaziamento do grupo flavista

A ausência de Flávio Bolsonaro no cenário político nacional abre espaço para uma reconfiguração de poder dentro do PL. O senador descumpriu uma ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar seu passaporte. Na prática, a medida cautelar do STF visava impedir a saída do investigado do país para garantir que ele responda aos processos judiciais em curso no Brasil.

O governo Trump, nos Estados Unidos, sinalizou que concederá vistos ao senador e sua família. A decisão de Flávio em deixar o país, após negar publicamente tal intenção em vídeo gravado na segunda-feira (26), enfraquece o grupo que ele liderava dentro da sigla. Com a saída, Valdemar Costa Neto retoma o controle centralizado da legenda. O presidente do PL, conhecido por sua longa trajetória no chamado Centrão, ganha autonomia para negociar com o governo sem a interferência da ala bolsonarista mais radical.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

O PL consolidou-se como a maior força de oposição após as eleições de 2026, mas enfrenta instabilidade jurídica com seus principais quadros. A crise envolvendo o passaporte de Flávio Bolsonaro é o desdobramento mais recente de uma série de inquéritos que tramitam no STF sobre o uso de recursos públicos e supostas irregularidades financeiras. A movimentação de Valdemar Costa Neto reflete a tentativa histórica do partido de equilibrar a base ideológica com o pragmatismo necessário para manter o acesso ao fundo partidário e aos cargos de comando no Legislativo.