Valdemar defende fuga de Flávio e diz que senador previu perseguição do STF

Presidente do PL visitou Jair Bolsonaro em prisão domiciliar nesta quarta-feira (28) e admitiu que o filho do ex-presidente fugiu para os EUA após ordem para entregar passaporte.

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Valdemar defende fuga de Flávio e diz que senador previu perseguição do STF
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Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, Metrópoles, O GLOBO, R7, UOL Notícias). Novos desdobramentos a qualquer momento.

O presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, afirmou nesta quarta-feira (28) que o senador Flávio Bolsonaro tomou a providência de fugir para os Estados Unidos após perceber que seria alvo de perseguição política. A declaração foi dada durante visita de duas horas à residência do ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília, onde o ex-mandatário cumpre prisão domiciliar por ordens do Supremo Tribunal Federal (STF).

A viagem de Flávio ao exterior ocorreu logo após o STF determinar a entrega do passaporte do parlamentar à Polícia Federal. A ordem judicial faz parte de um inquérito em curso que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz. Para o dirigente partidário, a ação do tribunal foi um ato político desproporcional executado minutos após o encerramento do pleito eleitoral.

Visita vigiada e isolamento no partido

Valdemar chegou à residência do ex-presidente por volta das 8h50, após receber autorização formal do ministro Alexandre de Moraes. Durante o encontro, que contou com vistorias e retenção de celulares não relacionados ao serviço, o dirigente buscou distanciamento das posições mais radicais do clã. Ele revelou que o patriarca da família não tinha conhecimento prévio do plano de fuga do filho.

A cúpula do PL tem adotado postura pragmática para preservar o capital político conquistado nas urnas. Nas eleições recentes, a sigla garantiu a maior bancada do Congresso Nacional, elegendo 121 deputados federais e 28 senadores, com possibilidade de alcançar 30 cadeiras no Senado até 2027. Integrantes da legenda avaliam que a defesa aberta de teses golpistas prejudica a articulação institucional e ameaça o controle de cargos estratégicos nas mesas diretoras.

O mal-estar na legenda aumentou após a divulgação de cartas em que Flávio se autodenominava o verdadeiro presidente eleito do país, termos posteriormente alterados para líder do Brasil. Valdemar criticou abertamente o teor dos documentos e admitiu o desagrado com a postura do parlamentar derrotado na disputa presidencial vencida por Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno.

Valdemar Costa Neto em declaração à imprensa na capital federal.
Valdemar Costa Neto em declaração à imprensa na capital federal. (Foto: Reprodução)

Reações e controle de danos

Aliados próximos e coordenadores de campanha também tentam conter os danos provocados pela fuga e pelas declarações do senador. Rogério Marinho, líder da oposição no Senado e coordenador da campanha presidencial derrotada, negou qualquer conhecimento sobre a partida de Flávio e evitou endossar teorias de fraude nas urnas eletrônicas. O distanciamento público de lideranças expressivas evidencia um esforço coletivo para evitar o isolamento completo da legenda perante os demais Poderes da República.

Enquanto o comando partidário tenta fechar as contas de campanha e assegurar espaço no Legislativo, a defesa de Jair Bolsonaro protocolou novos pedidos de visitas e reparos técnicos na residência. Uma equipe da operadora Claro esteve autorizada a realizar manutenção na internet do imóvel sob rigorosa vigilância policial, mantendo o ex-presidente sob estrito controle das restrições cautelares impostas pela Justiça.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

A crise atual no Partido Liberal aprofunda o racha entre a ala pragmática liderada por Valdemar Costa Neto e o núcleo ideológico bolsonarista. Desde a derrota de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial de 2026 e a imposição de medidas cautelares pelo STF, a sigla tem oscilado entre a defesa retórica do clã e a necessidade de preservar sua robusta bancada parlamentar para garantir influência política no Congresso.