Um ano após megaoperação com 122 mortos no Rio, 33 alvos seguem foragidos e chefes mantêm controle

Balanço da Operação Contenção revela que lideranças do tráfico permanecem no Alemão e na Penha, apesar da redução nos tiroteios e da presença policial.

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Um ano após megaoperação com 122 mortos no Rio, 33 alvos seguem foragidos e chefes mantêm controle
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Agência Brasil, Estadão, G1, Jornal de Brasília, O Dia). Novos desdobramentos a qualquer momento.

A Operação Contenção, realizada em 28 de outubro de 2025 nos complexos do Alemão e da Penha, completa um ano sob o peso de números alarmantes. A ação, que mobilizou 2,5 mil policiais, deixou 122 mortos e se tornou a mais letal da história da segurança pública do Rio de Janeiro. Dados atuais mostram que 33 dos 51 alvos originais com mandados de prisão continuam foragidos. Entre eles estão chefes do Comando Vermelho, como os criminosos conhecidos como Doca, Gardenal e Pedro Bala, que seguem vivendo e atuando dentro das comunidades.

No dia da investida, as forças de segurança prenderam 99 pessoas e apreenderam 122 armas. O prejuízo estimado para a facção criminosa com a perda do armamento chegou a R$ 12 milhões. Apesar da ofensiva, especialistas e órgãos de controle apontam que o grupo criminoso mantém o domínio territorial sobre as áreas. A rotina dos moradores continua sendo ditada por regras impostas pelo crime, restringindo o direito de ir e vir da população local.

O impacto nas estatísticas e na vida cotidiana

Levantamentos do Fogo Cruzado indicam uma queda de 61% nos tiroteios na região durante este primeiro ano. O Instituto de Segurança Pública (ISP) também registrou recuo nos índices de homicídios e letalidade violenta. No entanto, o custo social da violência permanece elevado. As escolas do Complexo do Alemão sofreram com o fechamento de unidades, que subiu de 25 para 29 casos, um aumento de 16% em relação ao período anterior.

A investigação sobre as 122 mortes segue em aberto. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) preside um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) para apurar as circunstâncias dos óbitos. O promotor Fabio Correa, coordenador do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP), classifica o evento como uma situação única na história do estado. Até o momento, o órgão ouviu 255 policiais, 61 presos e 45 parentes das vítimas para esclarecer denúncias de execuções e tortura.

A Operação Contenção mobilizou 2,5 mil agentes em uma ofensiva sem precedentes na história do Rio.
A Operação Contenção mobilizou 2,5 mil agentes em uma ofensiva sem precedentes na história do Rio. (Foto: Arquivo Gazeta)

Desafios da presença estatal permanente

A retomada de territórios dominados pelo crime organizado exige mais do que operações pontuais. A análise institucional reforça que a simples entrada de forças policiais não garante a soberania do Estado. A estratégia precisa incluir inteligência financeira, bloqueio de recursos ilícitos e, fundamentalmente, a oferta de serviços públicos essenciais. Sem uma presença constante, o controle do crime tende a se reorganizar rapidamente após a saída das tropas.

O Supremo Tribunal Federal, através da ADPF 635 (uma ação que discute a política de segurança pública e a letalidade policial), tem exigido o acompanhamento contínuo da atuação das forças de segurança. O objetivo é equilibrar o dever do Estado de enfrentar facções armadas com a proteção dos direitos fundamentais dos moradores. A continuidade das investigações e a implementação de protocolos, como o uso de câmeras corporais, são vistas por especialistas como passos necessários para evitar que a violência se torne um ciclo sem fim.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

A Operação Contenção foi deflagrada em outubro de 2025 como uma resposta estratégica ao avanço territorial do Comando Vermelho. O evento marcou o ápice de uma série de intervenções que buscavam desarticular a logística financeira da facção, mas que também gerou intensos debates jurídicos sobre a legalidade das ações e o uso desproporcional da força em áreas densamente povoadas.