Tribunal Superior Eleitoral desmente vídeos falsos sobre urnas e fraude na apuração

Checagem conjunta de órgãos de imprensa prova que transporte de urnas após transmissão de votos e relatório apócrifo distorcem dados oficiais.

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Tribunal Superior Eleitoral desmente vídeos falsos sobre urnas e fraude na apuração
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Aos Fatos, Checamos AFP, Estadão, G1, iG Último Segundo). Novos desdobramentos a qualquer momento.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desmentiu nesta semana uma série de publicações falsas que circularam em redes sociais bolsonaristas sobre a apuração das eleições presidenciais de 2026. A ofensiva de desinformação utilizou vídeos fora de contexto sobre o transporte de urnas eletrônicas e um relatório apócrifo que distorce os microdados oficiais da Justiça Eleitoral para tentar invalidar a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A apuração consolidada do pleito demonstra que Lula obteve 64 milhões de votos, o que representou 51,74% dos votos válidos quando 97% das urnas já tinham sido apuradas às 21h08 do domingo de eleição. O adversário, Flávio Bolsonaro, alcançou 59 milhões de votos, equivalentes a 48,26% do total. Diante da derrota nas urnas, grupos políticos passaram a espalhar boatos sobre o funcionamento do sistema eletrônico de votação.

A logística regular do transporte de urnas e os horários da apuração

O primeiro boato desmentido envolve um vídeo gravado por um motorista contratado pela empresa LP Transportes Carga e Descarga Ltda. Que prestou serviços à 408ª Zona Eleitoral. As imagens mostram equipamentos sendo descarregados em um cartório eleitoral por volta das 21h15, o que gerou acusações infundadas de fraude nas redes sociais.

O TSE esclareceu que a transmissão dos resultados ocorre diretamente na seção eleitoral logo após o encerramento da votação. Os arquivos digitais com os votos são enviados eletronicamente para a totalização central, sem a necessidade de transportar primeiro o equipamento físico até o cartório eleitoral.

O tribunal detalhou que a chegada das urnas e dos materiais impressos aos locais de guarda ocorre em uma operação logística distinta e posterior. O descarregamento registrado no vídeo terminou apenas por volta das 21h30. Portanto, a transmissão dos votos já havia sido concluída minutos antes, o que comprova a regularidade total do procedimento sem qualquer alteração nos resultados.

Urnas eletrônicas utilizadas no processo eleitoral brasileiro.
Urnas eletrônicas utilizadas no processo eleitoral brasileiro. (Foto: TSE / Divulgação)

O relatório apócrifo e a distorção dos microdados do TSE

Outra frente de desinformação identificada nas redes sociais foi a circulação de um documento apresentado como relatório pericial independente. O texto apócrifo afirma falsamente que Flávio Bolsonaro teria vencido a eleição caso o pleito tivesse sido encerrado às 17h, no horário oficial de fechamento das seções eleitorais.

Contudo, análises técnicas e notas oficiais explicam que o Registro Digital do Voto (RDV) armazena as escolhas dos eleitores de forma sigilosa, sem vinculá-las à identidade civil. Isso torna impossível saber em quem votaram as pessoas que conseguiram entrar na fila antes das 17h e exerceram o direito ao sufrágio após o horário limite, conforme garante a legislação eleitoral brasileira.

O relatório apócrifo também mente ao alegar que 2,5 milhões de eleitores votaram em urnas que funcionaram após as 17h. Dados oficiais revelam que menos de 35 mil votos foram registrados após o tempo original de encerramento em todo o país. Ou seja, a imensa maioria dos eleitores citados no documento falso votou dentro do horário regular estabelecido pela Justiça Eleitoral.

A transparência dos logs e a tentativa de desacreditar a democracia

Os criadores do documento falso ainda tentaram sustentar que os dados das urnas foram sonegados da sociedade por 72 horas para encobrir supostas fraudes. A acusação é falsa porque os registros de atividades dos equipamentos, conhecidos como logs, são disponibilizados publicamente pelo TSE à medida que a totalização dos votos avança em tempo real.

Horas após o término do segundo turno, painéis de apuração, análises da imprensa e auditorias independentes já acompanhavam cada etapa do processo. Outros boatos desmentidos no mesmo período incluíram a alegação falsa de que Lula teria recebido 165 mil votos sem origem durante uma interrupção temporária dos painéis de exibição de dados estaduais, falha técnica que nunca afetou o totalizador nacional.

Com essas checagens simultâneas realizadas por veículos de imprensa de todo o país, fica evidente que as narrativas golpistas tentam explorar o desconhecimento técnico da população sobre a logística eleitoral. O objetivo dessas campanhas é desgastar as instituições democráticas e confundir os trabalhadores que confiaram seus votos no processo eleitoral brasileiro.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

As campanhas de desinformação contra o sistema eletrônico de votação brasileiro tornaram-se recorrentes desde o pleito de 2022. O Tribunal Superior Eleitoral adotou uma postura de resposta rápida e transparência total com a abertura dos códigos-fonte e dos logs das urnas, permitindo que auditores independentes e jornalistas comprovem a lisura de cada eleição realizada no país.