Trump rejeita carta golpista de Flávio e se recusa a apoiar fala sobre presidência
Presidente dos EUA evita comentar tentativa de golpe. Flávio Bolsonaro fugiu para Miami após ordem de prisão e intimado pelo STF.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, Folha de S.Paulo, Nexo Jornal, O GLOBO, Poder360). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recusou-se nesta quarta-feira (28) a apoiar a declaração do senador derrotado Flávio Bolsonaro (PL), que se autodenominou o "verdadeiro presidente eleito" do Brasil em uma carta de teor golpista divulgada nas redes sociais. Em conversa com jornalistas na Flórida, o líder norte-americano afirmou que não vai comentar o assunto e limitou-se a confirmar a autorização de entrada do político brasileiro no país.
A manifestação de Trump ocorre no exato dia em que Flávio e sua família desembarcaram em Miami, após uma fuga cinematográfica pelas fronteiras terrestres. O senador deixou o Brasil na noite de terça-feira (27), cruzando a fronteira para a Argentina antes de embarcar em um avião privado em Puerto Iguazú. A rota incluiu uma escala no Equador até o pouso final em solo americano, um dia depois de ser intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A fuga e o recuo na carta golpista
No discurso publicado nas redes sociais e endossado por aliados, a primeira versão da carta trazia o senador afirmando ser o "verdadeiro presidente eleito". Cerca de uma hora depois, diante da repercussão negativa e do isolamento diplomático, o texto foi alterado para designá-lo apenas como "líder do Brasil". A mensagem também continha erros grosseiros, como o uso de um brasão histórico da República Velha que se referia ao país como "Estados Unidos do Brazil", símbolo extinto em 1968 pela ditadura militar.
Na mesma manifestação, o clã bolsonarista repetiu acusações sem provas de fraude eleitoral no segundo turno das eleições presidenciais de domingo (25), que consagraram a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com uma vantagem superior a 4 milhões de votos. O texto atacava uma decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que estendeu o horário de votação em locais afetados por falta de transporte público em Salvador e fortes temporais. Dados oficiais da Justiça Eleitoral mostram que apenas 34 mil votos foram registrados após as 17h, representando insignificantes 0,027% do total, sem qualquer impacto no resultado final das urnas.
Isolamento político e rejeição internacional
A tentativa de buscar abrigo político na extrema direita norte-americana esbarrou na frieza da diplomacia dos Estados Unidos. Questionado diretamente pela imprensa internacional sobre as alegações de Flávio, Trump foi categórico ao afastar qualquer envolvimento com a intentona golpista. "Não vou comentar isso. Nós demos a ele uma autorização para entrar no país. Mas não vou me envolver", declarou o republicano.
Especialistas jurídicos lembram que, embora derrotados em eleições preservem direitos políticos fundamentais, nenhum candidato derrotado tem poder para determinar o resultado do pleito ou questionar a soberania popular validada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A fuga para o exterior e a tentativa de inflamar seguidores com teorias conspiratórias evidenciam o desespero de um grupo político acuado por investigações criminais na Justiça brasileira.
A fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos replica o modus operandi de seu pai ao final do mandato presidencial em 2022, buscando escapar da jurisdição do Supremo Tribunal Federal. A manobra jurídica e a tentativa de obter respaldo internacional fracassam diante do reconhecimento unânime da vitória de Lula pelas principais democracias globais e pelas instituições brasileiras.