Trump afirma que atendeu pedido de Lula para não interferir nas eleições brasileiras
Ex-presidente dos EUA diz que Lula solicitou neutralidade, mas classifica o pleito brasileiro como uma 'vergonha' devido à queda do mercado.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, GZH, Gazeta do Povo, UOL Notícias, Valor Econômico). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste sábado que atendeu a um pedido direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para não tomar partido nas eleições brasileiras. A fala ocorreu em um momento de tensão diplomática, dado que os Estados Unidos ainda não reconheceram oficialmente a vitória de Lula na reeleição.
Trump afirmou aos jornalistas que manteve a neutralidade durante o pleito por orientação do próprio petista. "Fui orientado a não tomar partido pelo presidente, o atual presidente. Não tomei partido", disse o republicano. Apesar da confirmação da conversa, o ex-presidente manteve o tom crítico sobre o processo eleitoral brasileiro.
Críticas ao mercado e ao processo eleitoral
O tom de Trump mudou ao comentar os desdobramentos econômicos pós-eleição. Ele classificou o cenário como uma "desgraça" e uma "situação muito vergonhosa para o Brasil". Para fundamentar sua avaliação, o americano citou o comportamento do mercado financeiro. "O mercado deles despencou. É só olhar para o mercado", afirmou.
A declaração de Trump ecoa críticas feitas por setores da oposição brasileira. O mercado financeiro, de fato, reagiu com volatilidade ao resultado das urnas. A desvalorização de ativos brasileiros reflete a incerteza de investidores sobre a política econômica do novo mandato. O ex-presidente, contudo, não apresentou provas sobre a suposta fraude que mencionou em falas anteriores.
A articulação diplomática e o pedido de Lula
O pedido de não interferência mencionado por Trump não é uma novidade nos bastidores do Palácio do Planalto. Em setembro, durante entrevista à âncora Christiane Amanpour, Lula detalhou sua estratégia diplomática. O presidente brasileiro afirmou ter solicitado pessoalmente que os Estados Unidos respeitassem a soberania nacional.
"É muito importante que os Estados Unidos não se metam nas eleições do Brasil", disse Lula na ocasião. O petista reforçou que a relação entre os dois países possui 203 anos de história e deve ser mantida de forma sofisticada. O objetivo central era evitar que o pleito brasileiro se tornasse um campo de batalha ideológico entre Washington e Brasília.
A preocupação do governo brasileiro era real. No final de agosto, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) enviou um relatório ao Palácio do Planalto e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O documento alertava para um "nível de criticidade" sobre a possibilidade de influência externa no processo eleitoral. A inteligência brasileira monitorava riscos de desestabilização institucional.
A postura de Trump agora coloca em xeque a estabilidade das relações bilaterais. Enquanto o petista busca manter o pragmatismo, o ex-presidente americano utiliza o Brasil como peça de retórica em sua própria agenda política. A falta de reconhecimento oficial da vitória por parte dos EUA mantém o clima de incerteza no cenário político nacional.
A relação entre Brasil e EUA vive um momento de fragilidade institucional após o pleito de 2026. A ausência de reconhecimento oficial da vitória de Lula pelos americanos, somada à fuga de figuras políticas ligadas ao bolsonarismo, gera um impasse diplomático sem precedentes recentes. O governo brasileiro tenta equilibrar a manutenção da soberania com a necessidade de manter o fluxo de investimentos estrangeiros em um mercado instável.