Trump chama eleição de Lula de vergonha, evita apontar vencedor e confirma que falará com o petista
Presidente dos EUA criticou o pleito brasileiro sem explicar motivos, mas confirmou que conversará com o chefe de Estado reeleito.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, Estadão, G1, Poder360, UOL Notícias). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou nesta quarta-feira (29) as eleições brasileiras como “uma vergonha”, embora tenha evitado explicar os motivos da declaração e recusado apontar um vencedor legítimo para o pleito. A fala ocorreu quando o republicano conversava com jornalistas antes de embarcar para um comício político em solo norte-americano.
Questionado sobre o resultado das urnas que consagraram Luiz Inácio Lula da Silva vitorioso, Trump adotou tom ambíguo, mas confirmou que pretende manter contato direto com o governo brasileiro. “Acompanhei as eleições, não tomei partido, mas vi o que estava acontecendo no Brasil, foi uma vergonha”, declarou o líder americano aos repórteres presentes na cobertura.
O resultado das urnas e o reconhecimento oficial
A disputa eleitoral no Brasil terminou no último domingo (25), quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conquistou um quarto mandato inédito na história do país. O petista obteve 51,77% dos votos válidos, enquanto o candidato opositor do Partido Liberal (PL), Flávio Bolsonaro, alcançou 48,23% do eleitorado.
A vitória de Lula foi chancelada na mesma noite de domingo pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques. Mesmo com a derrota nas urnas, o candidato do PL deixou o país utilizando passaporte diplomático para entrar em território norte-americano e passaporte italiano para ingressar na Argentina, após ter os documentos brasileiros cancelados pela Polícia Federal.
Apesar da contestação velada de Trump, que citou quedas em mercados financeiros sem detalhar dados, o próprio Partido Liberal e o candidato a vice na chapa derrotada, deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), atestaram formalmente o resultado proclamado pelo tribunal eleitoral brasileiro.
Reação do Planalto e a linha do pragmatismo
Nos bastidores de Brasília, o governo federal avalia que Estados Unidos e Argentina participaram diretamente da operação que garantiu a saída de Flávio Bolsonaro do país. Integrantes do alto escalão do Palácio do Planalto suspeitam que o senador derrotado alterou o teor de sua carta pública após estabelecer contatos com autoridades de Washington, substituindo o termo “presidente eleito” por “líder”.
Ainda assim, a cúpula do governo brasileiro decidiu não adotar nenhuma retaliação diplomática contra os governos de Donald Trump e Javier Milei. A avaliação política no Planalto é de que o episódio não gera constrangimentos graves e que a administração federal deve preservar uma relação pragmática com as potências estrangeiras, focando na pauta comercial e no diálogo institucional.
Lula chega a essa nova etapa fortalecido pelo inédito quarto mandato nas urnas, o que afasta qualquer necessidade de resposta imediata a provocações externas. Enquanto analistas políticos apontam que Trump busca manter canais abertos com quem realmente comanda o poder no Brasil, o Palácio do Planalto aposta na estabilidade para governar sem ceder a ruídos diplomáticos gerados no exterior.
As relações entre o governo brasileiro e a administração de Donald Trump enfrentam sucessivos atritos desde o ciclo eleitoral passado. A saída de aliados de Jair Bolsonaro do Brasil e a concessão de refúgio temporário ou entrada em solo americano e argentino voltaram a testar os limites da diplomacia sul-americana diante da interferência indireta de potências conservadoras do hemisfério norte.