TCU propõe alíquota de 11,3% para a CBS em 2027 e pressiona o Senado

Corte de contas sugere percentual para substituir o PIS e a Cofins acima das previsões iniciais do governo e assusta o setor produtivo.

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TCU propõe alíquota de 11,3% para a CBS em 2027 e pressiona o Senado
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Brazil Journal, CNN Brasil, Forbes Brasil, G1, Senado). Novos desdobramentos a qualquer momento.

O Tribunal de Contas da União propôs nesta terça-feira uma alíquota de referência de 11,3% para a CBS (Contribuição Social sobre Bens e Serviços) a partir de 2027. O novo tributo federal foi criado pela reforma tributária e vai substituir o PIS e a Cofins. O plenário da Corte de Contas aprovou o percentual que resulta do arredondamento do cálculo exato de 11,3468% enviado pela equipe econômica do governo federal.

A decisão gerou forte preocupação no setor produtivo nacional porque o valor ficou acima das projeções ventiladas nos últimos anos por autoridades econômicas e parlamentares. O cálculo foi elaborado para preservar a arrecadação pública e manter a neutralidade fiscal, ou seja, garantir que o governo arrecade o mesmo patamar obtido atualmente com os impostos extintos. No Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027, a previsão oficial aponta uma arrecadação de R$ 636,8 bilhões com a nova contribuição.

O impacto nos preços e a reação do mercado

A definição surpreendeu analistas, advogados tributaristas e empresários que esperavam um patamar em torno de 9,2% ou 9,5%. A disparidade entre as projeções iniciais e o número final divulgado pelo tribunal acendeu o alerta na cadeia produtiva sobre o custo real das mercadorias e serviços comercializados no país. Especialistas apontam que a adaptação exigirá esforço intenso dos departamentos contábeis das empresas.

"Essa alíquota não era esperada nem pelo mais pessimista empresário brasileiro", avalia Gabriel Quintanilha, professor da FGV-Direito. Segundo ele, a busca do governo por neutralidade na arrecadação não impede que setores específicos sofram variações e impactos diretos nos preços cobrados ao consumidor final logo no primeiro momento de vigência da reforma.

Para o setor público, o tribunal também aprovou um redutor de 44,2% aplicado sobre as compras realizadas pela administração pública direta, incluindo autarquias, fundações e operações de importação. A Receita Federal enviou dezessete módulos metodológicos ao tribunal, que homologou os critérios após análise técnica detalhada do Fisco.

Fachada do Tribunal de Contas da União, responsável por homologar os cálculos da reforma tributária.
Fachada do Tribunal de Contas da União, responsável por homologar os cálculos da reforma tributária. (Foto: Agência Brasil)

Prazo limite e o papel do Senado Federal

Com a homologação concluída, o processo migra agora para o Poder Legislativo. O tribunal vai encaminhar formalmente o cálculo ao Senado Federal, que detém a responsabilidade constitucional de fixar o percentual definitivo por meio de resolução. Os senadores têm prazo improrrogável até o dia 15 de dezembro para deliberar sobre o tema.

Caso o Senado não vote ou não aprove uma nova alíquota dentro do prazo legal estabelecido, o cálculo homologado pelo tribunal prevalecerá de forma automática. Nesse cenário, o percentual de 11,3% entrará em vigor já em janeiro de 2027 para regular a cobrança da contribuição federal sobre o consumo.

O valor da alíquota não será definitivo por longo prazo. A regra aprovada determina que a taxa da CBS passe por revisões anuais até a implementação integral do novo sistema tributário prevista para o ano de 2033. Com isso, o tribunal deverá analisar e propor um novo patamar no próximo ano para valer em 2028.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

A reforma tributária foi promulgada pelo Congresso Nacional com o objetivo de simplificar o complexo sistema de cobrança de impostos sobre o consumo no Brasil. A substituição gradual de tributos cumulativos como PIS e Cofins pela CBS busca dar maior transparência à cadeia produtiva, embora o debate sobre o patamar das alíquotas de referência permaneça como ponto central de tensão entre o governo, o legislativo e o setor produtivo.