Tarcísio de Freitas admite que aconselhou Flávio Bolsonaro a não deixar o Brasil

Governador de SP revela bastidores do pós-eleição e critica apreensão de passaporte do filho do ex-presidente em entrevista ao Estadão.

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Tarcísio de Freitas admite que aconselhou Flávio Bolsonaro a não deixar o Brasil
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Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Estadão, Gazeta do Povo, O GLOBO, Poder360, UOL Notícias). Novos desdobramentos a qualquer momento.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), confirmou ter aconselhado o senador Flávio Bolsonaro a permanecer no Brasil após a derrota eleitoral de 2026. A declaração ocorreu em entrevista concedida ao jornal O Estado de S. Paulo, publicada nesta quarta-feira (28). Segundo o governador, o conselho foi dado em conjunto com advogados e aliados políticos, como o senador Rogério Marinho.

Tarcísio afirmou que a orientação era clara: utilizar os meios jurídicos previstos na legislação para contestar o resultado das urnas, em vez de deixar o país. O governador ressaltou que não tinha conhecimento prévio sobre o plano de fuga de Flávio, que saiu do território nacional acompanhado da esposa e das duas filhas adolescentes. A decisão do senador ocorreu diante do temor de medidas judiciais por parte do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

O embate jurídico e a crítica ao Judiciário

O governador de São Paulo aproveitou a entrevista para questionar a atuação da Polícia Federal e do Tribunal Superior Eleitoral. Ele criticou a apreensão do passaporte de Flávio Bolsonaro, ocorrida apenas sete minutos após a proclamação oficial do resultado das eleições, às 21h09 do dia 25 de outubro de 2026. Naquele pleito, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva venceu com 64.256.232 votos, equivalente a 51,79% do total, contra 59.826.041 votos, ou 48,21%, de Flávio.

Tarcísio classificou a medida como um possível abuso de poder. "O que tem de concreto hoje contra ele? Pode ser que amanhã apareça um monte de coisa, mas a gente não sabe. Hoje não tem nada", declarou o governador. Para ele, a ação da Justiça Eleitoral e da Polícia Federal configurou uma forma de intimidação. O governador defendeu que o uso de remédios jurídicos, ou seja, recursos legais para contestar decisões, deveria ser o único caminho seguido pelos aliados.

Governador Tarcísio de Freitas busca se consolidar como principal nome da direita brasileira.
Governador Tarcísio de Freitas busca se consolidar como principal nome da direita brasileira. (Foto: Gazeta Estrela Vermelha)

Tensões internas e o futuro da direita

A postura de Tarcísio de Freitas gerou reações imediatas dentro do espectro bolsonarista. Aliados de Flávio Bolsonaro avaliam que o governador "queimou a largada" ao se posicionar como possível herdeiro político do movimento. Interlocutores próximos ao senador afirmam que a fala de Tarcísio causou indisposição na ala mais radical, que o enxerga como alguém ingrato ou traidor. A resistência ao nome do governador é alimentada por figuras como o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que já ameaçou lançar candidatura própria à Presidência caso Tarcísio tente ocupar o espaço.

A estratégia de Tarcísio parece ser a de consolidar seu nome como a principal liderança da oposição a Lula, mantendo um distanciamento tático das polêmicas judiciais que cercam a família Bolsonaro. No entanto, o custo político dessa tentativa de moderação pode ser o isolamento dentro de sua própria base eleitoral. O governador insiste que não julga a decisão de Flávio, citando o desgaste emocional do senador diante da prisão do pai, mas reforça que a permanência no país seria a conduta mais adequada para o momento político.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

O cenário político brasileiro atravessa uma crise institucional sem precedentes após a eleição de 2026. A fuga de Flávio Bolsonaro para o exterior, logo após a derrota nas urnas, marcou um ponto de inflexão na relação entre o bolsonarismo e o Judiciário, intensificando a vigilância sobre os aliados do ex-presidente. A declaração de Tarcísio de Freitas tenta equilibrar o apoio à base conservadora com a necessidade de se apresentar como uma alternativa viável e institucional para os próximos ciclos eleitorais.