Governo central registra rombo de R$ 90,2 bilhões nas contas públicas até setembro

Apesar do déficit acumulado, as contas federais registraram superávit isolado de R$ 4,8 bilhões no mês de setembro.

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Governo central registra rombo de R$ 90,2 bilhões nas contas públicas até setembro
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Agência Brasil, Gazeta do Povo, Poder360, UOL Economia, Valor Econômico). Novos desdobramentos a qualquer momento.

O Governo Central acumulou um déficit primário de R$ 90,2 bilhões entre janeiro e setembro deste ano, conforme dados oficiais divulgados nesta semana. O resultado negativo representa uma melhora de 10,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando o rombo chegou a R$ 100,3 bilhões. A redução ocorreu porque a arrecadação de impostos cresceu acima do ritmo dos gastos públicos.

Apesar do saldo vermelho no acumulado dos nove meses, o mês de setembro registrou um superávit primário de R$ 4,8 bilhões. Na prática, o governo arrecadou mais do que gastou apenas no mês passado, revertendo o resultado negativo de R$ 14,4 bilhões observado em setembro do ano passado. O desempenho superou a expectativa do mercado financeiro, que previa um déficit de R$ 7,5 bilhões no período.

Arrecadação em alta e peso do petróleo

A melhora nas contas públicas foi puxada pelo avanço das receitas líquidas do governo. Em termos reais, descontada a inflação, a entrada de recursos aumentou 13,6% na comparação anual. O salto foi impulsionado pelo Imposto de Renda, por receitas extraordinárias e pela exploração de recursos naturais, como o petróleo e o gás.

A arrecadação do Imposto de Renda cresceu R$ 7,3 bilhões acima da inflação, com forte participação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. Já as receitas com a exploração de recursos naturais dispararam 71,9%, somando R$ 5,7 bilhões extras. O resultado refletiu a valorização internacional do petróleo, o aumento da produção e a comercialização realizada pela estatal Pré-Sal Petróleo.

Outro fator que ajudou o caixa federal foi a devolução de recursos de precatórios de anos anteriores que haviam sido cancelados pelo Poder Judiciário. Essa movimentação reforçou a rubrica de receitas não administradas, injetando bilhões de reais adicionais nos cofres da União.

Edifício sede do Ministério da Fazenda em Brasília, onde são consolidados os dados fiscais.
Edifício sede do Ministério da Fazenda em Brasília, onde são consolidados os dados fiscais. (Foto: Agência Brasil)

Previdência concentra o saldo negativo

O principal peso sobre as contas federais continua sendo o Regime Geral de Previdência Social. O sistema de aposentadorias e pensões registrou um déficit monumental de R$ 303,2 bilhões no acumulado do ano, neutralizando o superávit conjunto de R$ 213,1 bilhões obtido pelo Tesouro Nacional e pelo Banco Central.

As despesas com benefícios previdenciários cresceram R$ 2,1 bilhões acima da inflação. O aumento ocorreu devido ao crescimento do número de beneficiários e à política de valorização real do salário mínimo, que reajusta os pisos acima da inflação oficial. Na ponta oposta, o governo conteu parte da pressão com uma queda de R$ 8,4 bilhões nas despesas discricionárias.

Enquanto isso, os gastos totais do governo central cresceram 2,4% acima da inflação no período. Houve aumento de R$ 9,9 bilhões em créditos extraordinários, destinados principalmente a mitigar os impactos econômicos dos conflitos no Oriente Médio. Desse total, R$ 7,6 bilhões foram direcionados a subvenções econômicas para a importação e produção de diesel e derivados de petróleo.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

O debate sobre o equilíbrio fiscal e o cumprimento das metas de resultado primário tem dominado as discussões econômicas em Brasília. Analistas apontam que a rigidez dos gastos obrigatórios, como previdência e pessoal, limita a margem de manobra do Poder Executivo para zerar o déficit sem recorrer a aumentos de arrecadação ou cortes em investimentos essenciais.