Relatório aponta tortura e ameaças de morte em megaoperação com 122 mortos no Rio
Documento da Defensoria Pública revela que policiais militares agrediram moradores e ameaçaram detidos durante a Operação Contenção, em outubro de 2025.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Agência Brasil, Estadão, G1, ICL Notícias, UOL Notícias). Novos desdobramentos a qualquer momento.
Um relatório detalhado da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, em parceria com o Projeto Mirante, revelou cenas de tortura, agressões e ameaças de morte praticadas por policiais militares durante a chamada “Operação Contenção”. A incursão, realizada em outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão, resultou em 122 mortes, tornando-se a ação mais letal da história do estado.
A análise técnica baseou-se em mais de 10 mil arquivos de vídeo captados pelas Câmeras Operacionais Portáteis (COPs) dos agentes. As imagens mostram policiais agredindo moradores, mototaxistas e mulheres com o uso de eletrochoques e gás. Em um dos episódios mais graves, um homem imobilizado aparece com o rosto coberto por um pano ensanguentado enquanto agentes ordenam sua execução e exigem informações sobre esconderijos de armas.
Falhas técnicas e obstrução de provas
O documento aponta que, dos 1.802 policiais militares mobilizados para a operação, apenas 595 utilizavam câmeras corporais. A ausência de equipamentos em mais de 60% da tropa limitou a transparência da ação. Além disso, investigadores da Polícia Federal não receberam qualquer gravação da Core, unidade de elite da Polícia Civil que também atuou no confronto.
O relatório descreve ainda a obstrução intencional das lentes das câmeras e o compartilhamento irregular de equipamentos entre os policiais. Nenhum dos 10.202 arquivos analisados registrou as mortes ocorridas durante a operação. A Polícia Federal concluiu a perícia das imagens da Polícia Civil e encaminhou os laudos à Procuradoria-Geral da República (PGR) no dia 8 de outubro, onde o caso segue sob análise.
O controle territorial e a economia do crime
Um ano após a megaoperação, o cenário nos complexos da Penha e do Alemão permanece sob domínio do Comando Vermelho. O Ministério Público do Rio (MP-RJ) alerta que as comunidades funcionam como um “home office” para lideranças criminosas. Integrantes de facções de outros estados, como Amazonas e Pará, pagam valores que chegam a R$ 150 mil mensais por proteção e refúgio em residências suntuosas dentro das favelas.
Fabio Correa, coordenador do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp), afirma que o domínio territorial é o principal negócio dos grupos armados. Segundo o promotor, as operações policiais isoladas não são suficientes para conter o avanço das organizações. O foco atual das autoridades tem sido a asfixia financeira e a apreensão de fuzis, tentando interromper os fluxos de armas e munições que sustentam a estrutura do tráfico.
Enquanto as investigações sobre a conduta policial seguem em aberto, as denúncias encaminhadas pelo Ministério Público à Justiça ainda não incluem acusações formais de homicídio. O caso expõe a fragilidade do controle sobre a letalidade policial e a persistência do crime organizado, que utiliza o território carioca como base estratégica para expandir suas operações por todo o Brasil.
A Operação Contenção, deflagrada em outubro de 2025, marcou o auge da política de enfrentamento direto no Rio de Janeiro, resultando em 122 mortes. O episódio gerou intensos debates jurídicos sobre o uso de câmeras corporais e a responsabilidade do Estado em operações de alta letalidade, culminando em uma série de denúncias por parte de órgãos de direitos humanos e movimentos sociais.