Relatório aponta indícios de execuções e falhas em câmeras um ano após chacina com 122 mortos no Rio

Estudo divulgado por organizações e pela Defensoria detalha operação do governo Cláudio Castro que resultou em 122 mortes na Zona Norte.

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Relatório aponta indícios de execuções e falhas em câmeras um ano após chacina com 122 mortos no Rio
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Agência Brasil, Correio Braziliense, Estadão, Folha de S.Paulo, G1). Novos desdobramentos a qualquer momento.

Um ano após a megaoperação policial nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, um relatório detalhado aponta fortes indícios de execuções e graves falhas no uso de câmeras corporais pelos agentes de segurança. A ofensiva, batizada de Operação Contenção, ocorreu em 28 de outubro de 2025 sob a gestão do governador Cláudio Castro (PL) e terminou com um balanço oficial de 122 mortos.

O documento recém-divulgado pela organização Human Rights Watch e pela Defensoria Pública do Estado reconstrói a violência daquele dia por meio de milhares de documentos, laudos e registros audiovisuais. O levantamento revela que nenhuma das 117 mortes de civis foi registrada pelas lentes dos equipamentos acoplados aos uniformes policiais durante os confrontos.

O apagão das câmeras corporais no momento dos confrontos

A investigação analisou cerca de 4,4 horas de gravações fornecidas por 527 policiais militares, além de 122 laudos de necropsia e mais de 8,8 mil páginas de documentos produzidos pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. O material demonstra que apenas 23% dos cerca de 2,5 mil policiais mobilizados na ação utilizavam os equipamentos de gravação obrigatória.

Entre os agentes que atuavam na linha de frente e possuíam os dispositivos, 55% apresentaram interrupções nas imagens justamente por volta do meio-dia, período mais intenso dos tiroteios. Os pesquisadores identificaram 278 episódios de obstrução ou retirada de equipamentos, sendo 146 classificados como suspeitas claras de manipulação intencional por parte dos policiais.

Moradores e familiares relataram desde o primeiro dia indícios de tortura e execuções sumárias na região de mata dos complexos. No dia seguinte à ofensiva, dezenas de corpos foram carregados por moradores até a Praça São Lucas, no Complexo da Penha, em um protesto espontâneo que ganhou repercussão internacional e escancarou a brutalidade estatal nas favelas cariocas.

Moradores e familiares realizam ato na Praça São Lucas um ano após a operação policial nos complexos da Penha e do Alemão.
Moradores e familiares realizam ato na Praça São Lucas um ano após a operação policial nos complexos da Penha e do Alemão. (Foto: Mauro Pimentel / AFP)

Ato por justiça e a impunidade que persiste após doze meses

Para marcar a passagem de um ano da tragédia, movimentos sociais, coletivos de moradores e familiares das vítimas realizaram um novo ato político na mesma praça onde os corpos foram enfileirados em 2025. Com balões brancos e cartazes de cobrança por reparação, os manifestantes denunciaram que a rotina de violência e a falta de responsabilização penal continuam inalteradas nas comunidades.

Passados doze meses, o Ministério Público estadual já colheu depoimentos de 255 policiais, 61 pessoas presas na ocasião e 45 parentes dos mortos. Embora alguns agentes tenham sido denunciados por crimes menores associados ao contexto da ação, a investigação principal sobre a autoria e as circunstâncias exatas das 122 mortes segue sem conclusão judicial ou punição exemplar.

O balanço total de vítimas fatais inclui 117 civis e cinco agentes de segurança pública, sendo três policiais civis e dois militares. Quatro policiais morreram no dia da operação, enquanto o quinto faleceu nas semanas seguintes em decorrência dos ferimentos. Outros dois homens foram executados ou mortos antes mesmo do início oficial da ofensiva nos morros cariocas.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

A Operação Contenção, realizada em outubro de 2025 sob o comando do governador Cláudio Castro, representou uma das maiores ofensivas policiais da história recente do Rio de Janeiro contra facções criminais. Organizações de direitos humanos criticam sistematicamente a política de segurança pública do estado, apontando o uso excessivo da força letal nas favelas e a obstrução deliberada de investigações por parte de corporações policiais.