PT exige exclusão do PL de bloco na Câmara para isolar partido de Flávio Bolsonaro
Partido dos Trabalhadores impõe veto a Hugo Motta contra aliança com a legenda liberal na nova legislatura da Câmara dos Deputados.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, InfoMoney, O GLOBO, R7, Vermelho). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O Partido dos Trabalhadores formalizou um pedido direto ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para que o PL (Partido Liberal) seja mantido fora do bloco partidário que sustentará a recondução do parlamentar ao comando da Casa em fevereiro de 2027. A exigência petista ocorreu durante reunião realizada nesta terça-feira em Brasília, encontro que sacramentou o apoio oficial da legenda de esquerda à reeleição do atual chefe do Legislativo federal.
Com a adesão do PT, federações e aliados, o mega-bloco político na Câmara reúne agora 14 partidos: PT, PC do B, PV, União Brasil, PP, PSD, MDB, Republicanos, PSDB, Cidadania, Podemos, Solidariedade, PRD, PDT e PSB. Essa ampla composição assegura uma base teórica de 361 parlamentares na Casa, superando com folga o quórum mínimo de 257 votos necessários em plenário para garantir a vitória na eleição para a presidência da Mesa Diretora.
Negociações de bastidor e a pressão do Centrão
Apesar do peso numérico da aliança, o deputado Hugo Motta evitou dar garantias definitivas sobre a exclusão da legenda liberal. Interlocutores relatam que o presidente da Câmara ponderou que todas as siglas atualmente integradas ao bloco serão consultadas formalmente antes da aceitação de qualquer nova legenda na composição. No entanto, fontes internas do PT classificam a exigência como um veto político incontornável ao partido liderado na prática pelo clã Bolsonaro.
A situação do PL deteriorou-se drasticamente no cenário político nacional após a derrota de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial de 2026 e a posterior divulgação de uma carta de teor golpista. A fuga do candidato derrotado para os Estados Unidos gerou forte repúdio até mesmo em legendas de centro que haviam apoiado sua campanha no segundo turno. Lideranças partidárias do Centrão passaram a articular nos bastidores o isolamento institucional da sigla para mitigar sua influência nas decisões do parlamento.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, tentava avaliar uma reaproximação com Hugo Motta para garantir cargos estratégicos na Mesa Diretora e vagas nas comissões temáticas da Casa. A bancada liberal elegeu 121 deputados, formando a maior força numérica da próxima legislatura. Contudo, parlamentares da legenda admitem reservadamente que, caso fiquem de fora do bloco oficial, perderão o direito de preferência na escolha dos principais colegiados legislativos, recebendo apenas comissões de menor relevância política.
Desgaste na relação e novos rumos no Congresso
O racha atual coroa um período de forte desgaste na relação entre a cúpula do PL e Hugo Motta. Durante a campanha eleitoral, o atual presidente da Câmara declarou apoio público ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, participou de atos públicos no estado vestindo boné vermelho e fez o gesto do símbolo em sinal de alinhamento. Em resposta, Flávio Bolsonaro exigiu que o Centrão apoiasse outro nome caso vencia a República, investida que foi rejeitada de plano pelas lideranças partidárias.
A ofensiva de deputados do PL que tentaram desidratar a candidatura de Motta abordando pessoalmente parlamentares do Centrão também cobrou seu preço político. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, chegou a ensaiar uma candidatura própria que foi abandonada após o pleito presidencial, enquanto o vice-presidente da Casa, Altineu Côrtes (PL-RJ), permaneceu cotado para liderar um levate isolado da oposição.
Caso o isolamento do PL se concretize, a legenda sofrerá prejuízos severos na distribuição de relatorias de propostas de interesse nacional, na fatia de recursos oriundos de emendas parlamentares e no espaço de atuação na rotina diária da Mesa Diretora. Paralelamente, partidos menores como o Novo decidiram manter rota de colisão com a cúpula atual. O deputado Gilson Marques (Novo-SC) confirmou que a legenda lançará candidatura própria e rejeitará qualquer acordo com Motta, ampliando a polarização em torno da sucessão na Câmara dos Deputados.
A reeleição para a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados define o eixo de governabilidade e a pauta legislativa para os próximos dois anos. A disputa atual reflete o rearranjo de forças após o pleito presidencial de 2026, onde o Centrão busca manter o controle institucional das comissões enquanto o governo federal consolida uma base ampla de mais de trezentos parlamentares para isolar o setor golpista da extrema direita.