Esquerda mobiliza atos em São Paulo contra Ricardo Nunes após corte de ônibus no segundo turno

Prefeitura operou com apenas 58% a 71% da frota no domingo eleitoral, gerando filas e denúncias. Partidos cobram cassação e prisão.

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Esquerda mobiliza atos em São Paulo contra Ricardo Nunes após corte de ônibus no segundo turno
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, CartaCapital, Folha de S.Paulo, O GLOBO, Poder360). Novos desdobramentos a qualquer momento.

Movimentos sociais, sindicatos e parlamentares de esquerda iniciam uma onda de protestos contra o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), após a constatação de que a gestão municipal reduziu a frota de ônibus durante o segundo turno das eleições. O pleito ocorreu no último domingo (25), logo após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A denúncia central aponta que a prefeitura descumpriu a ordem judicial que exigia a operação total dos coletivos para facilitar o transporte dos eleitores.

Servidores públicos convocaram o primeiro ato de rua para esta quarta-feira na capital paulista. Outras duas manifestações já estão marcadas para o próximo fim de semana pelas redes sociais. No sábado (30), o protesto ocorre às 19h na Praça Roosevelt, no centro. No domingo (31), a mobilização será realizada às 14h na Praça Padre Manuel da Nóbrega, também na região central da cidade.

A batalha nos números e a comprovação do corte

Os dados oficiais obtidos por meio do sinal GPS dos veículos revelam o tamanho do corte na rede de transportes. A gestão municipal executou apenas 58,6% das partidas de ônibus previstas para o dia da eleição, conforme apontam os registros técnicos. O sistema transportou cerca de 3,2 milhões de passageiros ao longo do domingo, número idêntico ao registrado no primeiro turno.

Questionado sobre a falha, o prefeito Ricardo Nunes apresentou números divergentes em coletiva de imprensa. Segundo o chefe do Executivo municipal, a rede operou com 71% da frota total, o equivalente a 8.814 ônibus nas ruas de um total de 12 mil veículos disponíveis. Nunes justificou que recebeu a notificação oficial da Justiça apenas às 13h10 e que o comunicado às empresas ocorreu às 13h32.

A prefeitura alegou em nota oficial que aplicou mais de R$ 1 milhão em multas contra as empresas concessionárias que descumpriram a ordem de manter 100% da frota circulando. O prefeito argumentou ainda que os ônibus que deixaram de rodar ficaram parados porque os motoristas não compareceram aos postos de trabalho no dia do pleito. Para a gestão municipal, a oferta de transporte atendeu plenamente à demanda dos eleitores.

Prefeito Ricardo Nunes durante coletiva de imprensa sobre o transporte no segundo turno.
Prefeito Ricardo Nunes durante coletiva de imprensa sobre o transporte no segundo turno. (Foto: Reprodução / Prefeitura de SP)

Ação na Justiça e pedidos de prisão

A drástica redução na circulação de coletivos provocou longas filas, demora nos pontos e revolta entre os passageiros em diversos bairros da capital. Pela primeira vez na história recente do país, o horário de votação precisou ser prorrogado em razão de problemas operacionais no transporte público de eleitores, situação registrada também no estado da Bahia.

Diante do cenário, parlamentares do campo progressista reagiram com rigor jurídico. A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP), a vereadora Luana Alves (PSOL-SP) e a deputada estadual Mônica Seixas (PSOL-SP) protocolaram pedidos formais de prisão contra o prefeito Ricardo Nunes na Justiça Eleitoral. A representação também atinge o secretário municipal de Mobilidade Urbana e Transporte, Celso Jorge Caldeira, e o presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges.

A acusação sustenta que a prefeitura cometeu crime eleitoral ao dificultar o acesso da população de periferia às urnas. A Resolução nº 23.751/2026 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determina a gratuidade e a frota máxima nos dias de votação. Caso a culpa seja confirmada pela Justiça, o prefeito e o chefe da SPTrans podem receber multas individuais de 100 mil reais, além de responder criminalmente pelo ato.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

A obrigatoriedade de passe livre e frota cheia nas eleições tornou-se tema central de embates jurídicos após decisões do Supremo Tribunal Federal e do TSE para garantir o direito constitucional ao voto das camadas populares. A restrição de transporte em redutos eleitorais periféricos é apontada por movimentos sociais como uma tentativa recorrente de boicote à participação democrática da classe trabalhadora.