França registra quase mil prisões após novos protestos em massa contra custo de vida
Polícia mobiliza 70 mil agentes em todo o país; governo Macron promete reforma no sistema de acesso universitário para conter escalada de insatisfação social.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (BBC, Jovem Pan, Terra, UOL Notícias, Valor Econômico). Novos desdobramentos a qualquer momento.
As forças de segurança francesas prenderam 1.435 pessoas neste sábado (24/10) em meio a uma nova onda de protestos que tomou as ruas de diversas cidades da França. O Ministério do Interior mobilizou um efetivo de 70 mil policiais para conter a multidão, que protestava contra o aumento do custo de vida, cortes em serviços públicos e a precariedade das escolas.
O governo registrou 410 mil manifestantes, enquanto os sindicatos elevaram a estimativa para 800 mil pessoas nas ruas. O clima de tensão foi marcado pelo uso de gás lacrimogêneo e canhões de água em Paris, além de barricadas incendiadas em Marselha e atos de vandalismo em Bordeaux. A polícia também identificou, pela primeira vez, confrontos diretos entre grupos organizados de extrema direita e ativistas de extrema esquerda.
A crise no sistema de ensino superior
O movimento estudantil tornou-se um pilar central da insatisfação popular. Os jovens criticam o Parcoursup, a plataforma nacional de admissão nas universidades. O sistema funciona como um filtro digital que centraliza as candidaturas, mas é acusado de perpetuar desigualdades e esconder critérios de seleção pouco transparentes.
O presidente Emmanuel Macron viajou a Marselha para inspecionar danos e tentar apaziguar os ânimos. O governo anunciou uma reforma em duas etapas, prevista para 2027 e 2028, visando tornar os algoritmos de seleção mais claros. Representantes estudantis, como Louis Letoublon, da organização Les Lycéens, classificaram o anúncio como um avanço, mas mantiveram a convocação para novas marchas.
A promessa de reforma não encerrou o descontentamento. O governo enfrenta agora uma pressão crescente para aliviar a carga econômica sobre as famílias. A inflação nos combustíveis e a queda no poder de compra uniram estudantes, sindicatos e o movimento dos “coletes amarelos”, que retornaram às ruas com força total.
O risco de novos distúrbios
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, alertou que o próximo sábado, dia 31 de outubro, deve ser um período crítico. A proximidade com o Halloween e o histórico de agitação social no país elevam o temor das autoridades de que os protestos saiam do controle, como ocorreu no último fim de semana, quando centenas de comércios foram saqueados e prédios incendiados.
O sistema judiciário francês tem operado sob rito acelerado para processar os detidos. Centenas de pessoas já foram condenadas por vandalismo e incêndio criminoso. O governo Macron tenta equilibrar a necessidade de manter a ordem pública com a urgência de responder às reivindicações sociais, em um cenário onde o orçamento estatal oferece pouco espaço para novas concessões financeiras.
A próxima grande jornada de greves e manifestações está marcada para o dia 5 de novembro, abrangendo setores públicos e privados. O desenrolar desses eventos testará a capacidade de resistência da administração de Macron diante de uma população que exige mudanças estruturais profundas na economia e na educação.
A França vive uma crise social crônica desde 2018, quando o movimento dos 'coletes amarelos' surgiu contra o aumento dos combustíveis. O cenário atual é agravado por uma tempestade fiscal que limita a capacidade do Estado de subsidiar serviços básicos, enquanto a extrema direita, liderada por figuras como Marine Le Pen, capitaliza o descontentamento popular para fortalecer suas candidaturas presidenciais.