Polícia investiga listas de boicote contra empresários petistas em diversos estados
Campanhas digitais articuladas por bolsonaristas miram estabelecimentos de eleitores de Lula; autoridades alertam para crime de perseguição.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (G1, GZH, ICL Notícias, Metrópoles, UOL Notícias). Novos desdobramentos a qualquer momento.
A Polícia Civil iniciou investigações formais sobre a disseminação de listas de boicote contra empresários e comerciantes identificados como eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O fenômeno, que utiliza grupos de WhatsApp e redes sociais para propagar o ódio político, atinge estabelecimentos de diversos portes em capitais e cidades do interior do Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Espírito Santo.
As mensagens incitam consumidores a não frequentarem locais cujos donos possuem inclinação política ao PT. Em Poços de Caldas, no interior mineiro, a lista circula com a mensagem explícita: “Se você é patriota, não compre nada nestes comércios todos petistas! Amplie a lista se souber”. O material expõe nomes e endereços de dezenas de empresas locais.
O enquadramento jurídico e a ameaça à liberdade
A prática de organizar listas de boicote com motivação política pode configurar o crime de perseguição, conhecido juridicamente como stalking. O Código Penal prevê pena de seis meses a dois anos de reclusão, além de multa, para quem invade ou perturba a liberdade ou a privacidade de alguém de forma reiterada.
O comerciante Gustavo Pupila, incluído indevidamente na lista de Poços de Caldas, reagiu publicamente. Ele afirmou que buscará identificar os responsáveis pela difamação. “Isso é crime e coisa feia. Eu vou descobrir cada um desses bandidos que pôs meu nome lá. Esses criminosos vão pagar”, declarou o empresário em suas redes sociais.
A estratégia de intimidação não é nova. Em 2022, após a derrota de Jair Bolsonaro, diversos comerciantes relataram ter sido hostilizados por sua posição política. Uma empresária mineira, que preferiu não se identificar, relatou que o medo foi constante naquele período. Ela pontua, contudo, que a tentativa de isolamento costuma ser temporária e que a sociedade tende a rejeitar esse tipo de agressão.
Alcance nacional e impacto na rotina dos trabalhadores
O monitoramento das autoridades indica que a campanha de boicote é parte de um movimento mais amplo, que inclui a convocação para a demissão de funcionários petistas. O alcance das listas é variado, atingindo desde pequenos comércios de bairro até grandes redes de serviços. A disseminação ocorre de forma viral, dificultando o rastreamento imediato dos autores originais das postagens.
No Espírito Santo, a situação escalou para além do setor comercial, com militantes sugerindo boicotes até contra igrejas que não se alinham à ideologia de extrema-direita. Especialistas alertam que a medida visa desestabilizar a economia local e criar um clima de medo permanente entre os cidadãos que divergem do grupo que promove as listas.
Quem lucra com esse cenário é o radicalismo, que busca fragmentar o tecido social e prejudicar o sustento de famílias trabalhadoras. Quem paga a conta é o pequeno empreendedor, que vê sua fonte de renda ameaçada por uma perseguição baseada exclusivamente em convicções políticas e democráticas.
O uso de listas de boicote político ganhou força no Brasil durante o ciclo eleitoral de 2022, consolidando-se como uma ferramenta de intimidação extralegal. A tipificação do crime de perseguição, incluída no Código Penal em 2021, é a principal base jurídica utilizada pelas autoridades para conter a disseminação dessas campanhas que ferem a liberdade de trabalho e a integridade psicológica das vítimas.