Bancada do PL no Congresso manifesta total apoio a Flávio Bolsonaro após fuga para os Estados Unidos
Lideranças partidárias saem em defesa do parlamentar enquanto STF autoriza visitas a Bolsonaro e Polícia Federal investiga evasão de divisas.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, Folha de S.Paulo, Gazeta do Povo, O GLOBO, VEJA). Novos desdobramentos a qualquer momento.
A bancada do Partido Liberal no Congresso Nacional declarou apoio integral ao senador Flávio Bolsonaro nesta quarta-feira (28), em meio à crise gerada pela viagem do parlamentar para os Estados Unidos. Líderes partidários na Câmara e no Senado uniram forças para blindar o ex-candidato a presidente, enquanto a Justiça investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
A nota oficial foi divulgada nas redes sociais pelo deputado federal Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, e pelo senador Carlos Portinho, líder da legenda no Senado. Os parlamentares criticaram a cobertura da imprensa e argumentaram que a recusa em entregar passaportes à Polícia Federal não transforma o senador em um foragido da Justiça.
Segundo os dirigentes, o descumprimento de medidas cautelares não autoriza classificações precipitadas. "Não se pode transformar uma situação em outra nem divulgar como fato uma classificação que não corresponde à realidade", afirmam os líderes no documento assinado em conjunto.
Defesa partidária e estratégia nos Estados Unidos
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil rumo ao território norte-americano sem aviso prévio aos próprios aliados políticos, contando com apoio logístico e articulação junto ao governo de Donald Trump. O movimento ocorreu após o Supremo Tribunal Federal receber pedidos de apreensão de documentos de viagem e restrições de contato com outros investigados.
De acordo com apurações da Polícia Federal, o senador utilizou um passaporte italiano para entrar na Argentina e, em seguida, usou um passaporte diplomático para ingressar nos Estados Unidos. A corporação determinou o cancelamento de documentos emitidos no Brasil e intimou o parlamentar a entregar passaportes de outras nacionalidades no prazo de 24 horas, exigência que foi ignorada.
Mesmo com o descumprimento, a Polícia Federal pondera que a restrição de documentos de viagem não caracteriza, por si só, a condição jurídica de foragido. No entanto, o inquérito conduzido pelo Supremo Tribunal Federal segue ativo para apurar a participação de Flávio e do advogado Willer Tomaz em crimes financeiros, como lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Tensões internas e controle de visitas no STF
A viagem e as recentes manifestações de Flávio provocaram atritos dentro da cúpula do próprio Partido Liberal. Logo após desembarcar em solo norte-americano, o parlamentar publicou uma carta em redes sociais na qual se declarou o "verdadeiro presidente eleito do Brasil". Minutos depois, ele apagou a postagem e recuou para a alcunha de "líder do Brasil".
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, reprovou publicamente a declaração golpista. "Não gostei. Ninguém aprovou a carta do Flávio", declarou o dirigente partidário ao conversar com jornalistas na saída da residência do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Enquanto o filho mais velho permanece no exterior, a defesa de Jair Bolsonaro protocolou novo pedido no Supremo Tribunal Federal para autorizar a visita do senador Rogério Marinho, coordenador da campanha presidencial derrotada por Luiz Inácio Lula da Silva. O ministro Alexandre de Moraes autorizou o encontro sob rígidas regras de segurança, determinando vistorias prévias e a retenção de celulares da comitiva.
O cerco judicial contra o clã Bolsonaro intensificou-se após a derrota eleitoral em 2026 e o avanço das investigações sobre desvios de recursos e fraudes documentais. A saída de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos reativou o debate sobre o cumprimento de medidas cautelares impostas pelo STF e escancarou divergências entre a ala radical e a direção tradicional do Partido Liberal.