Piauí atinge limite de endividamento após ciclo de investimentos intensivos

Estado elevou investimentos em infraestrutura com crédito, mas especialistas alertam para pressão nas contas públicas e risco de déficit em 2026.

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Piauí atinge limite de endividamento após ciclo de investimentos intensivos
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Band, O GLOBO, O POVO, UOL Notícias, Valor Econômico). Novos desdobramentos a qualquer momento.

O estado do Piauí vive um momento de inflexão em sua política fiscal. Dados do Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (Siconfi), do Tesouro Nacional, revelam que o modelo de financiamento adotado pelo governo estadual chegou ao seu limite. Nos últimos anos, o estado priorizou investimentos em infraestrutura através de operações de crédito, estratégia que agora pressiona as contas públicas.

Os investimentos estaduais saltaram de 7,3% da Receita Corrente Líquida (RCL) em 2015 para patamares entre 13% e 17% entre 2022 e 2025. Em valores nominais, o desembolso anual variou entre R$ 2 bilhões e R$ 3,2 bilhões. Alexandre Andrade, diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI), aponta que o uso do endividamento foi direcionado para a expansão da capacidade produtiva, o que tecnicamente qualifica o gasto como saudável. Contudo, a sustentabilidade dessa estratégia é questionada.

Pressão sobre a dívida e o orçamento

A dependência de empréstimos para financiar obras tornou-se evidente a partir de 2023. As operações de crédito saltaram de R$ 143 milhões em 2022 para R$ 2,9 bilhões em 2025. Até agosto deste ano, o estado já havia contratado mais R$ 2,6 bilhões. O problema central reside no fato de que cerca de 90% dos investimentos realizados entre 2023 e 2025 foram cobertos por dívida, e não por poupança própria do estado.

José Ronaldo Souza Jr. CEO da Quantivis Analytics, destaca que o estado registrou déficits primários — quando as despesas superam as receitas antes do pagamento de juros — em todos esses anos. O déficit atingiu 10% da RCL em 2024 e 6,7% em 2025. Embora o estado tenha acumulado um superávit primário de R$ 160 milhões até agosto de 2026, o histórico recente mostra uma deterioração das contas no último quadrimestre de cada ano. Se o padrão se repetir, o fechamento de 2026 pode ser deficitário.

A dívida consolidada subiu de R$ 9,1 bilhões em 2022 para R$ 15,4 bilhões em 2025. Isso representa um salto de 67,1% para 82,5% da RCL. A dívida líquida, que desconta os ativos financeiros, também avançou de 51% para 71,4% da RCL no mesmo período. Embora o limite da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) seja de 200% da RCL, o ritmo de crescimento preocupa analistas. Caso a tendência atual persista, o indicador chegará a 100% antes do fim desta década.

Governador Rafael Fonteles em agenda oficial no Piauí.
Governador Rafael Fonteles em agenda oficial no Piauí. (Foto: Governo do Piauí/Divulgação)

O custo do serviço da dívida

O aumento do endividamento elevou drasticamente o custo para manter a máquina. Os gastos com juros saltaram de R$ 300 milhões em 2022 para R$ 1,4 bilhão em 2025. Somando juros e amortizações, o serviço da dívida consumiu 12,8% da RCL em 2025. Uma parcela crescente dos novos empréstimos é utilizada apenas para pagar dívidas antigas, reduzindo o espaço para novos investimentos reais.

Enquanto o cenário fiscal impõe desafios, o governador Rafael Fonteles atrai atenções em Brasília. Aliados indicam que o gestor piauiense só aceitaria um eventual convite para assumir o Ministério da Fazenda caso recebesse 'carta branca' para conduzir a política econômica. Fonteles tem mantido conversas com lideranças do mercado financeiro na Faria Lima, em São Paulo, buscando construir pontes para uma possível ascensão ao governo federal em 2027.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

O Piauí experimentou um crescimento robusto de receita nos últimos anos, impulsionado por transferências da União, o que permitiu a manutenção da dívida em patamares controlados em relação à receita. Contudo, a dependência de repasses federais e o aumento acelerado do serviço da dívida colocam em xeque a autonomia fiscal do estado frente a futuras oscilações econômicas.