Pedro Rousseff pede à PGR apreensão do passaporte de Nikolas Ferreira
Vereador aciona Procuradoria-Geral da República após fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA; deputado bolsonarista reage e chama pedido de busca por visibilidade.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Diário do Centro do Mundo, Estadão, GP1, Metrópoles, Poder360). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O vereador Pedro Rousseff, sobrinho-neto da ex-presidente Dilma Rousseff, protocolou nesta terça-feira (27) um pedido junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) para a apreensão do passaporte do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). A medida ocorre um dia após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixar o Brasil rumo aos Estados Unidos, mesmo após ordem judicial para entregar seus documentos de viagem.
Rousseff justifica o pedido alegando que o parlamentar mineiro possui diversos processos criminais em aberto e poderia tentar deixar o país para evitar futuras responsabilizações judiciais. O petista argumenta que a saída de Flávio Bolsonaro, investigado em inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), serve como precedente para que outros aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro busquem o mesmo caminho.
Reação do deputado e disputa política
Nikolas Ferreira utilizou suas redes sociais para rebater a iniciativa. O deputado classificou o pedido como uma tentativa de obter visibilidade política. “Eu sou obrigado a ler que esse imbecil, esse jacu, está pedindo a apreensão do meu passaporte. E pelo quê? Por nada”, afirmou o parlamentar em vídeo divulgado na tarde desta terça-feira.
O deputado mineiro ironizou a motivação de Rousseff, sugerindo que o pedido seria uma forma de o vereador ganhar destaque na mídia. “A ânsia deles de aparecer na mídia é muito grande. Então, toma aí seus 30 segundos de fama, sobrinho da Dilma”, completou. Para Nikolas, a iniciativa carece de fundamentação jurídica real e serve apenas como peça de propaganda política.
Pedro Rousseff, manteve o tom de desafio. O vereador afirmou que o parlamentar deveria entregar o documento voluntariamente. “Quem não deve não teme”, declarou o petista ao justificar a necessidade da medida cautelar, que na prática significa uma restrição temporária imposta pela Justiça para impedir que um investigado saia do país antes do encerramento de um processo.
O precedente do caso Flávio Bolsonaro
A ofensiva de Rousseff ganha força após a saída de Flávio Bolsonaro do território nacional. O senador foi intimado pela Polícia Federal na segunda-feira (26) a entregar seus passaportes, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF. O prazo para a entrega expirou ao meio-dia desta terça-feira, mas o senador já se encontrava em solo americano.
Flávio Bolsonaro é alvo de duas investigações no Supremo. A primeira apura possível lavagem de dinheiro envolvendo plataformas de apostas online. A segunda investiga o financiamento do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A saída do senador é vista por governistas como uma manobra para escapar de possíveis desdobramentos dessas investigações.
A PGR, comandada por Paulo Gonet, agora analisa o pedido de Rousseff. O órgão deve decidir se há elementos suficientes para solicitar ao STF a retenção do passaporte de Nikolas Ferreira. A decisão final sobre a apreensão cabe exclusivamente ao Poder Judiciário, após análise técnica sobre a existência de risco real de fuga ou obstrução das investigações em curso.
O STF tem intensificado o uso de medidas cautelares, como a retenção de passaportes, para garantir a eficácia de investigações contra figuras ligadas ao bolsonarismo. A estratégia busca evitar que investigados utilizem a liberdade de locomoção para se esquivar de ordens judiciais ou buscar asilo em países sem tratados de extradição com o Brasil.