Xi Jinping expulsa número recorde de 33 dirigentes e classifica corrupção como maior ameaça ao Partido Comunista da China
Reunião de cúpula em Pequim afasta 16 militares e atinge marca histórica de assentos vazios no Comitê Central de olho no quarto mandato.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (BBC, Folha de S.Paulo, O GLOBO, VEJA, 新华网). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O presidente da China, Xi Jinping, promoveu o expurgo de 33 integrantes do alto escalão do Partido Comunista da China (PCCh). A decisão foi formalizada ao término do quinto plenário do Comitê Central, realizado a portas fechadas em Pequim.
Entre os expulsos estão 16 oficiais das Forças Armadas. O encontro registrou o menor número de participantes desde a morte de Mao Tsé-Tung em 1976, com apenas 279 membros presentes no Comitê Central.
A cúpula partidária classificou a corrupção como a maior ameaça à sobrevivência da legenda. O comunicado oficial apontou que a liderança enfrentou a dura realidade de ter sido enfraquecida em momentos recentes e prometeu voltar a faca contra si mesma.
O tamanho do corte na cúpula militar e civil
A lista de afastados inclui nomes de peso que estavam desaparecidos da vida pública há meses. Entre eles estão o ex-diplomata Liu Jianchao, o ex-chefe partidário em Xinjiang Ma Xingrui e o ex-general Zhang Youxia, que ocupava o posto de vice-presidente da Comissão Militar Central.
A reunião também confirmou a situação de Zhong Shaojun, secretário sênior que atuou por mais de uma década como homem de confiança de Xi no controle do Exército de Libertação Popular. As sanções elevam para 51 o total de membros do Comitê Central afastados no terceiro mandato presidencial.
Analistas políticos internacionais apontam que a ofensiva serve para consolidar a autoridade de Xi Jinping. A medida ocorre enquanto o governo prepara o terreno político para assegurar um quarto mandato consecutivo no comando do país.
A máquina de punições e a disciplina rigorosa
Fora da reunião principal, o órgão de fiscalização anticorrupção informou que 680 mil pessoas foram punidas disciplinarmente em toda a estrutura do partido nos primeiros nove meses do ano. As acusações oficiais contra os dirigentes citam apenas vagas violações disciplinares e legais.
A única promoção relevante anunciada no encerramento do plenário foi a do general Zhang Shengmin. Ele assumiu uma cadeira no Politburo após coordenar as investigações internas que resultaram nas quedas de oficiais corruptos e desleais.
Desde que assumiu o poder em 2012, Xi Jinping transformou o combate à corrupção na espinha dorsal de sua gestão política e militar. A estratégia jurídica e disciplinar eliminou rivais internos, centralizou o controle nas mãos do Executivo e redefiniu as regras de governança do Partido Comunista Chinês às vésperas de transições históricas de comando.