Partido de Netanyahu acusa legendas árabes de roubarem eleições e exige investigação
Com o Parlamento dividido e sem maioria formada, legenda do primeiro-ministro israelense alega fraudes sem apresentar provas após votação.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (BBC, CNN Brasil, CartaCapital, Folha de S.Paulo, G1). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O partido do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, lançou nesta semana acusações graves contra partidos árabes do país após a divulgação de resultados parciais da eleição parlamentar. Sem apresentar provas materiais, a legenda alegou que o pleito foi roubado por meio de fraudes, ameaças e uso de softwares proibidos para inflar a participação eleitoral de minorias. A escalada verbal ocorre no momento em que a contagem de votos atinge 90%, deixando o cenário político completamente indefinido e sem maioria clara para formar o próximo governo no Knesset, o Parlamento israelense.
O impasse nos resultados e o poder da minoria
Os números oficiais indicam que o bloco liderado por Netanyahu aparece ligeiramente à frente da coligação oposicionista comandada por Gadi Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas. No entanto, nenhum dos dois grupos alcançou as 61 cadeiras necessárias para garantir a maioria na assembleia legislativa, composta por 120 assentos. O sistema político israelense funciona sob o parlamentarismo, modelo em que os cidadãos votam diretamente em legendas, e não em candidatos ao cargo de primeiro-ministro. Como nenhuma legenda atinge sozinha a maioria absoluta, a formação de governos exige alianças partidárias complexas.
Nesse cenário de divisão profunda, partidos liderados pela minoria árabe conquistaram um número recorde de cadeiras. Esse desempenho expressivo colocou essas legendas em uma posição estratégica de poder de barganha para definir o próximo gabinete ministerial. A reação do partido de Netanyahu consistiu em atacar a legitimidade desse processo. Em nota oficial, a legenda governista afirmou que as eleições foram alvos de atos criminosos de corrupção, mentiras e coerção cometidos por opositores que, segundo o comunicado, apoiam o terrorismo e a aniquilação do Estado judeu.
Articulação da oposição e exigências populares
Enquanto o atual governo aposta na desqualificação dos resultados, líderes da oposição e de partidos árabes negociam os próximos passos para tentar afastar Netanyahu do poder. Ahmad Tibi, chefe da bancada parlamentar da Lista Conjunta, declarou disposição para apoiar um governo minoritário liderado por Gadi Eisenkot. Em entrevista exclusiva, Tibi ressaltou que sua coalizão não pretende ocupar cargos ministeriais nem integrar formalmente o gabinete. A única exigência apresentada foi a de que a nova gestão assuma o compromisso real de combater a criminalidade endêmica na comunidade árabe e interrompa a demolição sistemática de casas de beduínos, práticas intensificadas durante os mandatos de Netanyahu.
Apesar de os principais partidos judeus da oposição terem descartado formalmente uma coalizão com siglas árabes durante a campanha eleitoral, o apoio parlamentar externo dessas legendas pode fornecer os votos essenciais para viabilizar um governo minoritário de oposição. Tibi relatou ter recebido diversas mensagens de integrantes do bloco oposicionista logo após a divulgação das primeiras pesquisas de boca de urna, reforçando que o canal de diálogo está aberto, desde que os opositores demonstrem coragem política para enfrentar a pressão do atual primeiro-ministro.
O futuro institucional e o horizonte das negociações
O processo de transição em Israel prevê agora semanas ou até meses de articulações nos bastidores do Parlamento. Cabe ao presidente do país, cargo de natureza majoritariamente cerimonial, indicar formalmente qual líder partidário terá a oportunidade legal de tentar construir uma coalizão viável. Enquanto as negociações avançam a passos lentos, Benjamin Netanyahu permanece no exercício do cargo de primeiro-ministro, administrando o Estado sob forte pressão política, polarização social e questionamentos judiciais que se acumulam desde o início da campanha eleitoral de 2026.
As eleições israelenses têm sido marcadas por forte instabilidade institucional e fragmentação partidária crônica, obrigando o país a sucessivos pleitos em curto intervalo de tempo. A participação da minoria árabe tem enfrentado barreiras políticas recorrentes, enquanto a direita tradicional utiliza discursos de segurança nacional para tentar desmobilizar o eleitorado dissidente.