Papa Leão XIV vota por correio nas eleições dos EUA e gera embate com Trump

Pontífice torna-se o primeiro líder da Igreja Católica a participar de pleito secular enquanto no cargo; presidente dos EUA reage com críticas ácidas.

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Papa Leão XIV vota por correio nas eleições dos EUA e gera embate com Trump
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, Folha de S.Paulo, G1, Poder360, Vatican News). Novos desdobramentos a qualquer momento.

O Papa Leão XIV, cidadão norte-americano, oficializou seu voto por correspondência nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos. O pontífice solicitou a cédula eleitoral em 3 de outubro de 2026, conforme registros do cartório do Condado de Will, em Illinois. Esta ação marca um precedente histórico, sendo a primeira vez que um líder da Igreja Católica em exercício participa de um pleito secular.

O papa mantém residência eleitoral registrada no endereço de seu irmão, John Prevost, na cidade de New Lenox. Embora o Vaticano seja sua morada oficial, as leis eleitorais de Illinois permitem o voto à distância para cidadãos que residem no exterior. Até a última quinta-feira, 29 de outubro, o cartório local ainda aguardava a chegada da cédula preenchida enviada pelo pontífice.

O embate direto com a Casa Branca

A participação do papa no processo democrático americano ocorre em meio a uma escalada de tensão com o presidente Donald Trump. Recentemente, Leão XIV criticou duramente uma publicação de Trump na rede Truth Social sobre o Irã. O presidente havia declarado que "toda uma civilização morreria" naquela noite, o que o papa classificou como "verdadeiramente inaceitável".

Leão XIV reforçou que ataques à infraestrutura civil violam o direito internacional, que é o conjunto de regras que rege a relação entre os países. Em resposta, Trump atacou o líder católico chamando-o de "fraco no combate ao crime" e "péssimo para a política externa". O presidente também alegou, sem apresentar provas, que o papa só ocupa o cargo no Vaticano graças à sua gestão.

O pontífice manteve a postura diante das ofensas. "Não tenho medo do governo Trump, nem de falar abertamente a mensagem do Evangelho", afirmou. O Vaticano divulgou nota oficial reiterando que o ato de votar é um dever cidadão. O comunicado ressaltou que Leão XIV exerceu o direito ao voto sempre que pôde, inclusive durante os seis anos em que residiu no Peru.

O Papa Leão XIV, em registro recente, durante atividades no Vaticano.
O Papa Leão XIV, em registro recente, durante atividades no Vaticano. (Foto: Reuters/Claudia Greco)

Histórico eleitoral e saúde do pontífice

O histórico de participação política de Leão XIV é extenso. Registros públicos mostram que ele votou à distância nas eleições gerais de 2024. Antes de assumir o papado no ano passado, o então cardeal Prevost participou de primárias democratas e republicanas em diferentes ciclos, desde 2008. O fato demonstra uma trajetória de engajamento constante na política partidária dos EUA.

A decisão de votar ocorre logo após um período delicado de saúde para o líder religioso. Em 13 de outubro, ele passou por uma cirurgia para a retirada de um câncer no pulmão direito. O pontífice recebeu alta hospitalar e retomou suas atividades públicas, incluindo a celebração de missas, a partir do dia 21 de outubro. A celeridade no envio do voto por correio indica que o papa priorizou a participação no pleito mesmo durante sua recuperação.

A eleição de novembro define o controle de vagas no Senado e o comando do governo de Illinois, além de cargos locais. O voto por correio é um método legal e amplamente utilizado nos EUA, não exigindo justificativa prévia dos eleitores em Illinois. A expectativa agora gira em torno da recepção da cédula pelo cartório e do impacto político dessa inédita participação papal na reta final da campanha eleitoral americana.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

A Igreja Católica não possui cânones que proíbam papas de exercerem direitos civis em seus países de origem. A dupla nacionalidade de Leão XIV, aliada ao seu histórico como cidadão americano, cria uma situação inédita onde a autoridade máxima da Igreja se torna um eleitor ativo em uma disputa política polarizada, desafiando a tradição de neutralidade diplomática do Vaticano.