Oposição lidera projeções em Israel e coloca governo de Netanyahu em xeque
Bloco de centro-direita liderado por Gadi Eisenkot supera coalizão de Netanyahu em boca de urna; negociações para novo governo devem durar semanas.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Agência Brasil, CartaCapital, O GLOBO, R7, UOL Notícias). Novos desdobramentos a qualquer momento.
As primeiras projeções das eleições em Israel indicam uma vantagem estreita para o bloco de oposição, liderado pelo ex-comandante militar Gadi Eisenkot. O resultado preliminar aponta um desgaste significativo da gestão de Benjamin Netanyahu, que enfrenta o julgamento das urnas após três anos de intensos conflitos regionais.
O pleito ocorreu sob a sombra dos ataques do Hamas iniciados em 7 de outubro de 2023. A segurança nacional foi o tema central da campanha, com eleitores divididos sobre a condução da guerra e o isolamento internacional do país. Cerca de 7,3 milhões de cidadãos estavam aptos a votar, com um movimento expressivo de expatriados retornando para participar do processo.
A aritmética do poder no Knesset
As projeções dos canais de televisão 11, 12 e 13 mostram o Bloco da Mudança, liderado por Eisenkot, com 52 a 53 cadeiras. A coalizão de Netanyahu, que integra a extrema direita, aparece com 50 assentos. O Parlamento israelense, o Knesset, possui 120 cadeiras totais.
O partido Likud, de Netanyahu, permanece como a legenda individual mais votada, com 24 ou 25 cadeiras. Contudo, a falta de maioria absoluta força negociações complexas. Os partidos árabe-israelenses surgem como fiel da balança, podendo conquistar um recorde de 17 a 18 cadeiras. Essas legendas não devem integrar o governo, mas seus votos serão decisivos para a governabilidade.
A cláusula de barreira, que exige 3,25% dos votos válidos para ocupar uma cadeira, adiciona incerteza ao cenário. Votos destinados a partidos que não atingem esse patamar são descartados, o que historicamente favorece blocos maiores. Em 2022, esse mecanismo permitiu que Netanyahu alcançasse 64 cadeiras com menos da metade dos votos totais.
O longo caminho para a formação do governo
A contagem oficial dos votos deve levar vários dias. Após a oficialização, o presidente Isaac Herzog iniciará rodadas de conversas com os líderes partidários. O objetivo é identificar quem possui maior viabilidade para formar uma coalizão. O presidente tem o poder de indicar qualquer deputado para a tarefa, não necessariamente o líder do partido mais votado.
O escolhido terá um prazo para negociar a composição ministerial. Caso não consiga apoio de 61 parlamentares, o processo pode se repetir com outro nome. A oposição, representada por Yair Lapid, já classificou as projeções como uma derrota acachapante para o atual primeiro-ministro. Eisenkot afirmou que os números refletem a falta de confiança da população no governo atual.
A instabilidade política é agravada pela crise militar na Faixa de Gaza e pela expansão de assentamentos na Cisjordânia. A guinada à extrema direita e ao nacionalismo religioso também aprofundou as divisões internas. A formação do novo governo, portanto, não será apenas uma questão de números, mas de sobrevivência política em um cenário de alta polarização.
Israel atravessa um período de crise política crônica, com sucessivas eleições em curto intervalo de tempo. O sistema parlamentarista exige alianças constantes, tornando governos reféns de partidos menores e de agendas radicais. A atual disputa reflete o esgotamento do modelo de coalizão liderado por Netanyahu frente aos desafios de segurança e pressão internacional.