Oposição em Israel depende de votos árabes para derrubar Netanyahu

Coalizão do primeiro-ministro não atinge maioria no Parlamento e futuro político do país trava em impasse ideológico.

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Avigdor Liberman, membro do Knesset (imagem de arquivo).
Foto: Itzhak Harari / CC BY-SA 4.0 via Wikimedia Commons

O partido Likud, liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, obteve 27 cadeiras nas eleições israelenses. O resultado representa 20% do total de votos. A coalizão aliada ao premiê somou 53 assentos, oito a menos que o necessário para governar.

A oposição alcançou 67 cadeiras no Knesset, o Parlamento de Israel. O grupo, porém, está dividido. Dezenove desses assentos pertencem aos partidos Raam e Lista Conjunta, que representam palestinos-israelenses. Esse grupo compõe 21% da população do país.

O bloqueio ideológico da oposição

Partidos de judeus israelenses que se opõem a Netanyahu somam 48 deputados. As legendas mais votadas, Yashar e B’Yachad, rejeitam alianças com representantes árabes. O pesquisador Shajar Goldwaser, do GECI, aponta que a oposição prometeu não governar com Netanyahu nem com os partidos árabes.

O impasse mantém Netanyahu no poder enquanto não houver acordo. Goldwaser afirma que a oposição precisará descumprir promessas para sair da crise. A resistência em incluir palestinos no governo reflete uma barreira ideológica profunda dentro do sistema político israelense.

O medo da representação política

A exclusão dos partidos árabes decorre de uma visão que especialistas classificam como racista. A presença de um ministro palestino na Educação, por exemplo, é vista como uma ameaça pelos setores conservadores. O temor é que a participação palestina valide o peso do voto desse grupo na política nacional.

A emissora N12 News relata que o partido Yisrael Beytenu, de Avigdor Liberman, propõe um governo de unidade com Netanyahu. A intenção é barrar qualquer coalizão com partidos árabes. Se Liberman aderir ao Likud, Netanyahu precisará de apenas mais um voto para garantir a permanência no cargo.

Acusações de fraude e deslegitimação

Netanyahu contesta os resultados e alega, sem apresentar provas, interferência externa. O premiê cita Turquia e Catar como supostos influenciadores no voto dos palestinos-israelenses. A participação desse eleitorado atingiu 80%, a maior da história.

O líder do Yashar, Gadi Eisenkot, rebateu as falas do primeiro-ministro. Ele acusou o Likud de organizar uma campanha para deslegitimar o processo eleitoral. Enquanto as lideranças disputam o poder, o país permanece sem um governo definido e com a população observando o desgaste das instituições.