ONU aprova fim de embargo a Cuba com apoio do Brasil, mas EUA expulsam diplomata

Assembleia Geral vota texto contra bloqueio dos EUA a Cuba. Brasil apoia a ilha, enquanto Washington expulsa diplomata após bate-boca.

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ONU aprova fim de embargo a Cuba com apoio do Brasil, mas EUA expulsam diplomata
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Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Brasil 247, Brasil de Fato, CNN Brasil, Folha de S.Paulo, Valor Econômico). Novos desdobramentos a qualquer momento.

A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma resolução contra o embargo econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba. A votação ocorreu em Nova York e registrou 165 votos a favor, 7 contrários e 12 abstenções. O governo brasileiro manteve a tradição diplomática e votou ao lado da ilha caribenha. O embaixador cubano em Brasília, Adolfo Curbelo Palomo, agradeceu publicamente o apoio do Palácio do Planalto e a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Apesar da vitória diplomática na ONU, o cenário internacional azedou nos bastidores da diplomacia. O governo dos Estados Unidos anunciou a expulsão imediata de um diplomata cubano do território norte-americano. A medida foi comunicada pelo embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, após uma discussão acalorada no plenário da organização com o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla. O diplomata atingido pela punição deve embarcar em um avião rumo a Havana nas próximas vinte e quatro horas.

O impacto do bloqueio e a votação na ONU

Durante coletiva de imprensa em Brasília antes da votação, o embaixador Adolfo Palomo detalhou o impacto das sanções econômicas na vida cotidiana dos trabalhadores cubanos. Ele classificou o bloqueio norte-americano como uma medida de caráter genocida. Segundo o diplomata, as restrições provocam escassez de água potável, cortes constantes no fornecimento de energia elétrica, falta de remédios nas farmácias e dificuldades severas na produção nacional de alimentos.

Os números oficiais divulgados pela ONU mostram que a resolução obteve 165 votos favoráveis neste ano. No entanto, levantamentos estatísticos apontam que a adesão ao texto registrou o menor patamar dos últimos trinta anos. Em 2017, a mesma pauta alcançou um pico de cento e noventa e um votos favoráveis. Analistas apontam que o avanço das abstenções reflete a pressão diplomática exercida pela administração norte-americana sobre países aliados no Sul Global.

População cubana enfrenta impactos diários do bloqueio econômico imposto pelos EUA.
População cubana enfrenta impactos diários do bloqueio econômico imposto pelos EUA. (Foto: Reprodução)

Tensão diplomática e retórica de Washington

A sessão da ONU foi marcada por bate-boca e troca de acusações diretas entre autoridades dos dois países. O embaixador norte-americano Mike Waltz subiu ao púlpito e elevou o tom contra a delegação cubana. Waltz afirmou que o governo comunista da ilha utiliza táticas de intimidação e opressão que não serão toleradas pelos Estados Unidos. A retórica agressiva de Washington ocorre em paralelo a ameaças veladas de intervenção econômica e política na ilha caribenha.

Em resposta às acusações, a chancelaria cubana repudiou o discurso da Casa Blanca e classificou a postura americana como uma ofensa à soberania do povo. O embaixador Palomo reforçou que Cuba não representa nenhuma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos e exige apenas o direito de viver em paz. A República Saarauí também se manifestou durante o ato em Brasília, prestando solidariedade e lembrando a cooperação histórica na formação de jovens estudantes cubanos.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

O embargo econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos contra Cuba começou a ser formalizado institucionalmente no início dos anos 1960, após a vitória da revolução socialista liderada por Fidel Castro. Desde o ano de 1992, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas vota anualmente resoluções que exigem o fim das sanções unilaterais. Embora a ampla maioria dos países membros rejeite o bloqueio de forma consecutiva há décadas, Washington mantém as restrições econômicas com o objetivo declarado de asfixiar a economia da ilha e provocar mudanças no regime político cubano.