Auxiliares de Lula falam em renovar até 70% do ministério; nomes seguem em aberto

Fazenda e Segurança Pública estão entre as pastas com nomes em circulação, e a decisão deve ficar para depois da próxima viagem internacional do presidente.

Compartilhar
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante visita protocolar (imagem de arquivo).
Foto: Lula Oficial / CC BY-SA 2.0 via Wikimedia Commons

🚨 PLANTÃO GAZETA — notícia em desenvolvimento, escrita a partir do que 2 veículos publicaram. As fontes estão no fim do texto; esta página pode ser atualizada.

Auxiliares próximos ao Planalto afirmam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende montar um ministério com até 70% de renovação para o quarto mandato. Segundo a VEJA, essa previsão ainda depende das escolhas do presidente. A informação foi relatada pela VEJA, que ouviu as previsões do colunista Robson Bonin, da coluna Radar. Segundo esses interlocutores, a intenção é formar uma equipe preparada e evitar erros cometidos na composição do governo atual.

Para os auxiliares, Lula conduz a montagem com calma porque quer um governo novo, e não apenas a continuidade do atual. Bonin avaliou como positivo o reconhecimento gradual dos limites para a expansão dos gastos. Ele fez, porém, uma ressalva sobre a distância entre discurso e prática. "O presidente Lula já fez esses movimentos diversas vezes de dizer que quer uma coisa e fazer outra", afirmou.

O ajuste fiscal aparece no centro da disputa. Segundo o colunista, há uma divisão entre quem aposta em soluções sem contenção de despesas e quem considera necessário enfrentar o desequilíbrio das contas. Ajuste fiscal é o conjunto de medidas para equilibrar a arrecadação e os gastos do governo. Para Bonin, sem esse ajuste o governo não recupera margem para executar iniciativas no próximo mandato.

Na Fazenda, o nome de Rafael Fonteles (PT), governador reeleito do Piauí, é frequentemente mencionado pela VEJA e está entre as principais apostas segundo a GZH. Ainda de acordo com a GZH, ele é economista e matemático por formação, comandou a Secretaria da Fazenda do Piauí e presidiu o Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz). O custo político de abandonar um mandato recém-conquistado é apontado como entrave.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também aparece nas conversas. Hoje ele comanda o Ministério da Indústria, Comércio e Serviços, e a GZH cita a proximidade com o setor empresarial e a fama de bom gestor fiscal como pontos a seu favor. A GZH o cita como alternativa para a equipe econômica (Fazenda). Alckmin também é mencionado para outras pastas, como a Defesa. A VEJA cita ainda Dario Durigan entre os nomes em circulação, sem apresentar qualquer escolha como confirmada.

Na Segurança Pública, a nova pasta deve ser criada em janeiro e absorverá a Polícia Federal, segundo a GZH. Lula pretende fazer do combate ao crime organizado uma das linhas de frente da gestão. Entre os cotados estão o atual ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), delegado de carreira da Polícia Civil de Minas Gerais, e o promotor Lincoln Gakiya, chefe do Gaeco de São Paulo, conhecido por investigações contra o Primeiro Comando da Capital (PCC). Gakiya teria sinalizado interesse no cargo, se convidado.

Também são citados o atual titular da Secretaria Nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, e o ex-governador da Bahia Rui Costa (PT), senador eleito, que foi chefe da Casa Civil. Na Casa Civil, o mais cotado é Camilo Santana (PT), ex-ministro da Educação, em razão do papel que teve na campanha do segundo turno. O ex-ministro Fernando Haddad (PT), que esteve à frente da Fazenda até março, perdeu força para a pasta após a derrota no primeiro turno na disputa pelo governo de São Paulo, mas, segundo a GZH, não está descartado para a Segurança Pública, as Relações Exteriores ou um retorno à Fazenda. Segundo a GZH, também são cotados João Campos (PSB) para Ciência e Tecnologia, André Janones (Rede) para a Secom, Gleisi Hoffmann (PT) para Desenvolvimento Social, Marina Silva (Rede) para Meio Ambiente e Simone Tebet (PSB) para Planejamento.

A montagem da equipe também depende de alianças para garantir maioria no Congresso, onde cresce a direita. Partidos do centrão como PSD, Republicanos, PP e União Brasil, que não apoiaram Lula na eleição, podem ocupar cargos no governo. A permanência de alguns dos atuais ministros não está descartada, e o retorno de nomes que deixaram os cargos para disputar as eleições também é considerado.

A VEJA relata que interlocutores aguardam a próxima viagem internacional do presidente para a possível divulgação do nome da Fazenda. Bonin afirmou que os anúncios serão necessários para esclarecer a direção do governo e reduzir a incerteza entre os aliados. Até a divulgação oficial, nenhum dos nomes citados foi confirmado.

Fontes: VEJA — “O plano de Lula para renovar até 70% do ministério e mudar os rumos do quarto mandato”; GZH — “O que se sabe sobre a composição do governo Lula”.

Também noticiaram: CNN Brasil, Metrópoles, UOL Notícias.