Ex-presidente do Paraguai Santiago Peña é acusado de quebra de confiança no caso do banco Ueno, segundo a Reuters

Peña foi afastado por impeachment um dia antes e agora responde a pedido de prisão preventiva, ou seja, prisão decretada antes do julgamento.

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Santiago Peña durante evento público (imagem de arquivo).
Foto: Presidencia de la República del Ecuador / Public domain via Wikimedia Commons

O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi acusado de quebra de confiança e de administração para benefício pessoal, segundo a agência Reuters. A acusação foi formalizada neste sábado, um dia depois de Peña ser afastado do cargo por impeachment. Ele passou a manhã na procuradoria-geral, em Assunção, para prestar depoimento.

Peña estava em prisão domiciliar desde sexta-feira. Segundo a Al Jazeera, um mandado de prisão foi expedido logo após o afastamento dele do cargo. Antes do afastamento, ele havia oferecido renúncia na quinta-feira, mas os parlamentares rejeitaram o pedido e seguiram com o impeachment. Na prática, a renúncia lhe daria imunidade política, e o Congresso quis evitar isso.

O caso gira em torno do Ueno, banco digital que cresceu rapidamente durante o mandato de Peña. Segundo a Al Jazeera, a instituição recebeu mais de US$ 800 milhões em recursos públicos e atraiu milhões de clientes.

Os reguladores assumiram o controle do Ueno na terça-feira, por preocupação com a solvência do banco, ou seja, com a capacidade de pagar suas dívidas. Desde então, cerca de três milhões de pessoas não conseguem acessar as economias nem usar os cartões.

Acusações contra o ex-presidente

De acordo com a acusação, Peña usou sua influência política para direcionar centenas de milhões de dólares de recursos públicos ao Ueno. Ele também teria blindado o banco da fiscalização, enquanto cresciam as suspeitas sobre práticas de empréstimos arriscados.

Um dos pontos citados é a nomeação de Carlos Carvallo, ex-executivo da empresa que depois se tornou o Ueno, para comandar o banco central paraguaio em 2023. Carvallo também foi acusado, no sábado, de quebra de confiança, de produzir documentos públicos falsos e de administração para benefício pessoal.

A acusação aponta ainda que Peña teria permitido que o fundo de previdência estatal depositasse US$ 355 milhões no Ueno, acima do limite legal. Peña tinha participação na controladora do banco até março de 2025.

Peña nega irregularidades e afirma que os problemas do banco são uma questão regulatória. Os promotores pediram a prisão preventiva dele e de Carvallo enquanto o caso avança.

A quebra do banco provocou protestos em vários dias no Paraguai. Milhares de pessoas foram às ruas exigir acesso às economias, e parte das manifestações terminou em confronto com a polícia.

O banco central informou neste sábado que 1,2 milhão de clientes já receberam o reembolso parcial ou total dos depósitos garantidos. Mesmo assim, muitos ainda aguardam o dinheiro de volta, e a insatisfação continua.

Parte dos manifestantes critica a escolha de Pedro Alliana para substituir Peña. Alliana, que tomou posse na sexta-feira, pertence ao mesmo partido Colorado, de orientação conservadora, e também está sob investigação ligada ao colapso do banco. Ele prometeu ajudar as pessoas afetadas.

Fontes: Al Jazeera — “play”.