Nikolas diz preferir abrir mão da CCJ a apoiar reeleição de Motta
Deputado do PL afirma que a posição é pessoal e diz que vai conversar com Hugo Motta nesta quarta-feira (4). A eleição para o comando da Câmara está prevista para fevereiro de 2027.
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O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou nesta terça-feira (3) que prefere abrir mão da presidência da CCJ, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, a apoiar a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) para o comando da Câmara. A declaração foi dada a jornalistas na sede do PL, no complexo Brasil 21, em Brasília, durante uma reunião do partido.
"Entre a presidência da CCJ e manter a coerência, eu prefiro abrir mão da CCJ", disse o parlamentar. Ele afirmou que a posição é pessoal e não representa uma decisão da bancada. Segundo Nikolas, o PL deve preservar sua identidade política, mesmo que isso signifique perder cargos e comissões.
Apesar das divergências, Nikolas disse que pretende conversar com Motta nesta quarta-feira (4). Ele criticou o presidente da Câmara pelo apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2026. "Eu acho que isso significa não caminhar junto com o Hugo Motta", declarou.
O deputado também considerou pequena a chance de o PL negociar a presidência da CCJ. Ele lembrou as resistências enfrentadas quando comandou a Comissão de Educação e durante a gestão de Caroline de Toni na CCJ. Para Nikolas, a direita deve priorizar a confiança do eleitorado. "Eu prefiro muito mais ganhar a próxima geração do que ganhar agora, digamos, a comissão e perder o futuro", afirmou.
Bancada dividida sobre a aliança
Nikolas citou Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP) como possíveis alternativas à presidência da Câmara, mas disse que não há definição. Ele também defendeu o senador Rogério Marinho (PL-RN) para o comando do Senado, avaliando que a candidatura está mais avançada.
Até o momento, 15 partidos declararam apoio à reeleição de Motta. Segundo o Estadão, eles somam 361 deputados eleitos para o próximo mandato, o equivalente a 70,37% das 513 cadeiras da Câmara. A federação PT-PCdoB-PV tem 88 cadeiras, União/PP tem 87, PSD tem 43 e Republicanos tem 41.
O PL, que terá a maior bancada, com 121 cadeiras, não declarou apoio. Para vencer no primeiro turno, o candidato precisa da maioria absoluta, ou seja, metade mais um dos votos, o que corresponde a 257 deputados. O apoio dos partidos, porém, não garante que cada deputado vote no candidato.
Dentro do PL, a discussão tem dois lados. Segundo o G1, a ala que defende compor com Motta argumenta que, sem acordo, o partido ficará isolado e sem direito a pedir as principais comissões da Casa. Técnicos da Câmara projetam que, de fora do bloco, o PL teria a 16ª escolha de comissão, o que levaria a sigla para colegiados menos prestigiados.
Já uma outra ala defende, segundo o R7, uma estratégia de oposição total ao governo Lula, com candidatura própria à Câmara contra Motta. No Senado, Marinho deverá enfrentar Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que busca a reeleição. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) também sinaliza entrar na disputa, segundo a mesma reportagem.
O União Brasil, anunciou apoio à reeleição de Motta. Em festejo com deputados eleitos, o líder Pedro Lucas Fernandes disse que "o nosso campo político está aqui nas ideias que o Hugo Motta representa", segundo a CNN Brasil. A mesma emissora informou que o PL avalia compor a chapa do atual presidente da Câmara.
A decisão final do PL deverá sair de um encontro com deputados eleitos marcado para a próxima semana, previsto inicialmente para 11 de novembro, de acordo com o R7. Entre os nomes cotados pelo partido para disputar a presidência da Casa estão o primeiro vice-presidente, Altineu Côrtes (PL-RJ), e o líder Sóstenes Cavalcante, ambos do Rio de Janeiro.
Hugo Motta é presidente da Câmara desde 2025 e busca a reeleição na próxima legislatura. Na disputa anterior pelo Senado, o PL apoiou Rogério Marinho mesmo sem conseguir formar maioria, lembrou Nikolas. As eleições para as presidências da Câmara e do Senado estão previstas para fevereiro de 2027.
Fontes: Poder360 — “Nikolas diz que prefere abrir mão da CCJ a apoiar reeleição de Motta”; G1 — “Com Marinho na disputa à presidência do Senado, PL se divide sobre lançar nome para Câmara”; Estadão — “Partidos que declararam apoio à reeleição de Motta representam 70% dos eleitos do próximo mandato”; CNN Brasil — “União Brasil anuncia apoio à reeleição de Hugo na presidência da Câmara”; R7 — “Ala do PL defende ‘oposição total’ a Lula e quer candidatura própria à presidência da Câmara”.