Flórida elege primeiro governador negro, o republicano Byron Donalds, aliado de Trump

Mesmo com a derrota nacional do partido, republicanos mantêm o governo e o Senado no estado, e DeSantis diz que o resultado foi "algo próximo ao nível de extinção

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U.S. Congressman Byron Donalds speaking with attendees at the 2025 AmericaFest at the Phoenix Convention Center in Phoenix, Arizona (imagem de arquivo).
Foto: Gage Skidmore / CC BY-SA 4.0 via Wikimedia Commons

🚨 PLANTÃO GAZETA — notícia em desenvolvimento, escrita a partir do que 5 veículos publicaram. As fontes estão no fim do texto; esta página pode ser atualizada.

O republicano Byron Donalds venceu a disputa pelo governo da Flórida e se tornará o primeiro governador negro do estado. Segundo a BBC, a vitória foi uma das poucas conquistas significativas do presidente Donald Trump na eleição de meio de mandato, embora os democratas tenham tido algumas vitórias surpreendentes no estado e mantido os três distritos redesenhados para favorecer os republicanos. Donalds substituirá Ron DeSantis, que não podia disputar um novo mandato pela Constituição local.

A republicana Ashley Moody se reelegeu para o Senado e derrotou a democrata Angie Nixon, de acordo com a BBC. Segundo o Brasil de Fato, os republicanos tiveram entre 50% e 51% dos votos nas disputas pelo governo e pelo Senado, contra cerca de 48% a 49% dos democratas. A margem foi apertada. Segundo o mesmo veículo, os democratas avançaram nas áreas urbanas e em vários condados de maioria latina.

Donalds, que nasceu no Brooklyn, em Nova York, arrecadou mais de US$ 170 milhões na campanha. O valor é mais de seis vezes o arrecadado por seu adversário, o democrata David Jolly, segundo a Folha de S.Paulo. Pesquisas citadas pela VEJA mostravam Jolly com impulso recente, apenas 2 pontos percentuais atrás de Donalds antes da votação.

Trump admitiu ontem a derrota para os democratas, depois de ter levantado dúvidas, nos dias anteriores à eleição, sobre se reconheceria o resultado. Segundo o Valor Econômico, o presidente disse que, se seu nome estivesse na cédula, os republicanos não teriam perdido. Ele também reconheceu que a impopularidade da guerra ao Irã foi uma das razões da derrota. Segundo o Brasil de Fato, a derrota foi nacional: os republicanos perderam o controle do Senado e cadeiras no Texas, Kansas, Ohio, Iowa e Carolina do Sul, e a perda de cadeiras na Câmara seguiu uma tendência observada em 18 das 20 eleições de meio de mandato desde 1946.

Em postagem no X, DeSantis afirmou que o que ocorreu na eleição foi "algo próximo ao nível de extinção". Ele ressalvou, porém, que a Flórida foi uma "grande exceção" entre os dez maiores estados do país. Dentro do próprio partido, houve críticas públicas. O senador John Curtis, de Utah, escreveu: "É hora de os republicanos retomarem os valores conservadores tradicionais que antes nos definiam, e que abandonamos ao longo da última década".

O deputado Thomas Massie, do Kentucky, que rompeu com Trump sobre a guerra ao Irã e sobre o caso dos arquivos Epstein, foi além. "A derrota não é sobre depositar confiança nos democratas ou nos princípios socialistas: é sobre responsabilizar os republicanos por terem traído suas promessas", escreveu no X.

Cuba e o peso do voto latino

Na Flórida, o peso demográfico dos latinos deu especial relevância eleitoral à disputa, segundo o Brasil de Fato. Segundo a Folha de S.Paulo, o estado é o terceiro com mais população de origem latina nos EUA, atrás de Califórnia e Texas. Uma pesquisa de sindicatos de Miami, que bateram em 320 mil portas entre março e junho, mostrou que 58% dos eleitores estavam decepcionados com a política de imigração, e 19% estavam com raiva.

Na Câmara, a deputada republicana María Elvira Salazar venceu no Distrito 27 com 50,2% dos votos, contra 49,8% de Eliott Rodríguez, democrata. Os democratas pediram recontagem. O deputado Mario Díaz-Balart garantiu a reeleição no Distrito 26 com 49,9%, contra 49,1% de Nicole Lucklin. Em um anúncio, Salazar afirmou que os eleitores latinos que ajudaram a eleger Trump "agora se sentem traídos".

A analista cubana Alejandra García Elizalde, ouvida pelo Brasil de Fato, afirma que "as políticas de ódio contra Cuba já não contam com a mesma simpatia entre a comunidade cubana nos Estados Unidos". Ela ressalva que o resultado na Flórida "não foi uma vitória garantida e tranquila" para o Partido Republicano e diz não acreditar que um ataque militar a Cuba seja o verdadeiro interesse de Washington. Ela avalia, porém, que ainda é cedo para saber se o resultado mudará a política de Washington para a ilha. Segundo ela, a hostilidade deve continuar, mesmo sem um confronto militar.

Pelo lado republicano, o líder da maioria no Senado, John Thune, defendeu o trabalho do partido e o histórico do Senado republicano, afirmando que os republicanos ajudaram a "tornar as ruas mais seguras, colocar mais dinheiro no bolso dos americanos". Ele também lembrou que Trump segue na Casa Branca. "Ainda temos o presidente Trump na Casa Branca e trabalharemos com ele para frear os piores impulsos do extremismo democrata", escreveu no X. Donalds, prometeu reduzir impostos sobre a propriedade e os custos de seguros, além de simplificar as agências do governo estadual. Em nota, ele disse: "A Flórida é a inveja da nação. Lutarei dia e noite para mantê-la assim e elevar ainda mais o nosso estado."

Fontes: Valor Econômico — “Governador da Flórida diz que derrota republicana foi algo próximo ao nível de extinção”; BBC — “Republicanos da Flórida derrotam democratas e Estado elege primeiro governador negro”; Brasil de Fato — “Partido Republicano recua na Flórida: o que muda na política dos EUA para Cuba?”; Folha de S.Paulo — “Flórida elege 1º governador negro, o republicano Byron Donalds, aliado de Trump - 04/11/2026 - Mundo”; VEJA — “Eleição de meio de mandato é teste de força da Flórida como reduto republicano de Trump”.