Netanyahu governa como interino em Israel após pleito sem maioria no Parlamento
Bloco de direita atinge 53 cadeiras e oposição soma 48. Premier mantém controle político e investiga suspeitas de fraude com ajuda externa.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, Estadão, O GLOBO, Poder360, UOL Notícias). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, continua no cargo de forma interina após uma eleição inconclusiva realizada no país. Com quase 86% dos votos apurados, três emissoras israelenses projetam que o bloco de direita liderado por Netanyahu conquistou 53 das 120 cadeiras do Parlamento. A oposição, encabeçada por Gadi Eisenkot, ficou com 48 assentos. Os partidos árabes israelenses alcançaram um resultado histórico ao projetar 19 cadeiras.
A falta de maioria absoluta impede a formação imediata de um governo regular. Para alcançar o poder, Eisenkot precisaria do apoio dos partidos árabes, uma aliança rejeitada pela maioria das lideranças políticas judaicas locais. Sem um vencedor claro, Netanyahu permanece no comando da administração pública enquanto os partidos negociam alianças. O atual premiê pode continuar na função de interino até a realização de novas eleições, previstas para o ano de 2027.
Investigação de financiamento estrangeiro
O partido Likud, legenda de Netanyahu, apresentou acusações sem provas de que o Catar e a Turquia teriam financiado ações para influenciar o voto em comunidades árabes. Diante das alegações, o presidente do Comitê Central de Eleições, juiz Noam Sohlberg, determinou que o Shin Bet, serviço de segurança interna israelense, investigue as suspeitas de suborno eleitoral e interferência externa. A apuração tem prazo de uma semana para ser concluída.
O governo do Catar negou veementemente as acusações e classificou as declarações como ridículas. A polícia de Israel e o chefe do Shin Bet, David Zini, informaram que a votação transcorreu sem anormalidades graves e que não há registros oficiais de fraude eleitoral no processo.
O processo institucional agora depende do presidente do país, que atua como chefe de Estado. O mandatário realiza reuniões com os partidos eleitos para identificar qual líder político possui condições reais de formar uma coalizão majoritária, exigência que demanda no mínimo 61 deputados aliados no Parlamento.
Ações militares e repercussão internacional
Especialistas jurídicos apontam que, embora o governo interino enfrente algumas limitações administrativas, ele mantém plenos poderes de decisão, inclusive sobre a condução da guerra contra o Irã. Falando a apoiadores do Likud após as 3h da manhã no horário local, Netanyahu defendeu a criação de um governo forte de direita e mencionou a possibilidade de uma nova ação militar conjunta contra o Irã em parceria com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Trump afirmou que o apoio americano ajudou Netanyahu no pleito. A escalada retórica aumenta a tensão na região. Cidadãos iranianos e palestinos manifestam forte preocupação com a continuidade dos conflitos armados e da violência no Oriente Médio, enquanto analistas acompanham os desdobramentos da crise política em Tel Aviv.
A instabilidade política em Israel tem marcado os últimos anos por meio de sucessivas eleições inconclusivas e forte polarização em torno da figura de Benjamin Netanyahu. O premiê enfrenta processos judiciais e mantém uma política externa de confronto militar direto com o eixo regional liderado pelo Irã, contando com o forte respaldo de aliados em Washington.