Netanyahu evoca 'segundo Holocausto' e pressiona militares por ataque ao Irã antes das eleições
Primeiro-ministro israelense tentou forçar operação militar contra Teerã, mas enfrentou resistência do comando das Forças Armadas e críticas internas.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Brasil 247, Estadão, InfoMoney, UOL Notícias, Valor Econômico). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, intensificou a tensão regional ao pressionar o alto comando militar por uma operação ofensiva contra o Irã. O movimento ocorre a poucos dias das eleições no país, em um cenário de desespero político. Netanyahu chegou a evocar o risco de um "segundo Holocausto" para justificar a urgência de uma ação militar.
Relatos do Canal 12 de Israel indicam que o premiê convocou o chefe do Estado-Maior, Eyal Zamir, para ordenar a ofensiva. A natureza exata do ataque não foi revelada. Zamir, contudo, recusou a ordem imediata. O militar exigiu consultas formais e uma autorização jurídica assinada pelo gabinete para evitar erros de cálculo que pudessem escalar o conflito para uma guerra aberta.
Resistência militar e o medo da escalada
A cúpula das Forças Armadas de Israel teme que qualquer iniciativa precipitada provoque uma reação iraniana desproporcional. O comando militar avalia que uma ofensiva desnecessária poderia resultar em um bombardeio de drones e mísseis sobre o território israelense. Esse cenário, ironicamente, poderia forçar o adiamento das eleições, frustrando o objetivo político de Netanyahu.
O ministro de Defesa, Israel Katz, tentou conter a repercussão negativa da notícia. Ele afirmou que Israel não tinha intenção de iniciar um ataque antes da votação. Katz ressaltou que o país responderá com força apenas se for atacado primeiro. Analistas, como o editor do The Times of Israel, David Horovitz, apontam que a declaração de Katz não nega as pressões internas relatadas pelo comando militar.
A movimentação de bastidores incluiu a mobilização de dezenas de caças e aeronaves de reabastecimento na semana anterior. As aeronaves sobrevoaram partes da Síria e do Iraque, aproximando-se da fronteira iraniana, mas retornaram antes de violar o espaço aéreo do Irã. O governo dos Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, foi comunicado previamente sobre essa demonstração de força, que visava apenas dissuadir Teerã.
Aposta no apoio externo e riscos eleitorais
Documentos e relatos indicam que Netanyahu buscou ativamente o apoio de Donald Trump para viabilizar uma nova ofensiva. O premiê tentou convencer o presidente norte-americano a participar do ataque antes das eleições israelenses e do pleito de meio de mandato nos Estados Unidos. A estratégia busca consolidar uma imagem de liderança forte para garantir votos em um momento de alta rejeição interna.
Quem paga a conta dessa escalada é a população civil, que vive sob o medo constante de um conflito regional. A instabilidade política em Israel reflete o esgotamento do modelo de governo de Netanyahu. O uso de retórica extremista, como a menção ao Holocausto, serve para desviar a atenção de problemas domésticos graves e da crise de legitimidade que o governo enfrenta perante o Exército e a sociedade.
A rivalidade entre Israel e Irã é o eixo central das tensões no Oriente Médio há décadas. Netanyahu utiliza a ameaça iraniana como pilar de sua política externa e interna. O atrito atual com as Forças Armadas expõe uma ruptura institucional rara, onde o comando militar prioriza a segurança nacional frente aos interesses eleitorais imediatos do primeiro-ministro.