Bloco de Netanyahu lidera apuração em Israel, mas não alcança maioria no Parlamento
Com 76% das urnas apuradas, premiê soma 54 cadeiras e enfrenta impasse para formar governo. Oposição e partidos árabes definem o futuro do país.
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O bloco político liderado pelo atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu lidera a apuração das eleições em Israel, mas não garante a maioria necessária para governar. Com 76% das urnas computadas até o momento, o grupo do premiê soma 54 cadeiras no Knesset, o Parlamento israelense. O bloco de oposição, encabeçado pelo ex-chefe das Forças Armadas Gadi Eisenkot, contabiliza 47 assentos. Os partidos árabes, que detêm 19 cadeiras, tornam-se o fiel da balança para qualquer tentativa de coalizão.
O impasse na formação do novo governo
A legislação israelense exige que um governo conte com o apoio de pelo menos 61 dos 120 deputados para obter a maioria. Nenhum dos dois blocos principais atingiu esse patamar até agora. Netanyahu, em declarações anteriores, rejeitou a inclusão de legendas árabes em sua base de apoio. A oposição, liderada por Eisenkot, também demonstra resistência em depender desses votos para viabilizar sua gestão.
A contagem oficial dos votos segue em ritmo lento devido ao sistema proporcional de Israel. Apenas partidos que superam a cláusula de barreira de 3,25% dos votos válidos garantem assentos. Votos destinados a legendas que não atingem esse índice são descartados, o que altera significativamente a distribuição final das cadeiras. Em pleitos anteriores, esse mecanismo gerou o desperdício de mais de 200 mil votos, beneficiando blocos maiores.
O presidente Isaac Herzog desempenha um papel central após a conclusão da apuração. Ele deve se reunir com os líderes de cada partido eleito para identificar quem possui maior probabilidade de formar uma coalizão majoritária. O indicado não precisa ser, obrigatoriamente, o líder do partido mais votado, mas sim alguém capaz de angariar 61 recomendações ou apoios parlamentares. O processo de negociação pode levar semanas ou até meses, prolongando a instabilidade política no país.
Cenário de incerteza e disputas internas
Os 120 deputados eleitos tomam posse no dia 10 de novembro. Uma das primeiras missões do novo Knesset será a eleição do presidente da Casa. A oposição já sinalizou a intenção de substituir o atual ocupante do cargo, Amir Ohana, caso consiga formar maioria. A disputa pelo comando do Parlamento reflete a polarização entre os projetos apresentados pelos dois blocos durante a campanha eleitoral.
A contagem final deve ser encerrada até o final desta quarta-feira (28), embora a validação total possa levar dias adicionais. O clima é de expectativa entre os eleitores, muitos dos quais retornaram ao país especificamente para exercer o direito ao voto. O resultado final definirá não apenas o próximo primeiro-ministro, mas as diretrizes econômicas e as políticas de segurança que impactarão diretamente a vida da população e a gestão do orçamento público israelense.
A política israelense vive um ciclo de instabilidade crônica, marcado por sucessivas eleições antecipadas e dificuldades na formação de coalizões duradouras. O sistema parlamentarista, fragmentado por diversas legendas, exige alianças complexas que frequentemente colapsam sob o peso de divergências ideológicas e disputas de poder entre o bloco de Netanyahu e seus opositores.