Após perder maioria no Parlamento, Netanyahu contesta eleições em Israel e acusa fraude

Primeiro-ministro israelense perde maioria no Knesset com 53 cadeiras e aponta interferência estrangeira sem apresentar provas.

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Após perder maioria no Parlamento, Netanyahu contesta eleições em Israel e acusa fraude
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Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Brasil de Fato, CNN Brasil, UOL Notícias, VEJA, Valor Econômico). Novos desdobramentos a qualquer momento.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, perdeu a maioria no Parlamento e passou a contestar o resultado das eleições gerais do país. Com 90% dos votos apurados pela Comissão Central de Eleições, a coalizão governista conquistou apenas 53 das 120 cadeiras do Knesset. Para formar um governo, o bloco precisa alcançar o patamar mínimo de 61 assentos.

A derrota do atual governo ocorreu devido ao avanço da oposição e à forte mobilização dos eleitores palestinos com cidadania israelense. Os partidos de oposição somaram 48 assentos, enquanto as legendas árabes garantiram 19 cadeiras. O comparecimento às urnas atingiu 77,9%, totalizando 5.716.665 votos registrados, dos quais 5.690.778 foram válidos e 25.887 acabaram considerados inválidos pela comissão eleitoral.

Diante do revés político, o partido Likud, liderado por Netanyahu, reagiu com acusações de fraude eleitoral e interferência externa. A legenda alegou que organizações encarregadas de mobilizar o eleitorado árabe receberam recursos financeiros do Catar e da Turquia. O grupo político apelidou o caso de "Ra’amgate", mas não apresentou provas públicas para sustentar a tese de manipulação no pleito.

O avanço da oposição e a distribuição de cadeiras

O Likud liderou a disputa isoladamente ao conquistar 27 assentos, totalizando 1.167.458 votos válidos, o que representa 20,52% do total. Em segundo lugar ficou o partido Yashar, liderado pelo principal adversário de Netanyahu e ex-chefe militar Gadi Eisenkot, que obteve 21 cadeiras com 913.502 votos, equivalente a 16,05% da preferência do eleitorado.

A configuração do novo Parlamento reflete a fragmentação das forças políticas em Israel. A aliança Juntos, do ex-premiê Naftali Bennett, garantiu 12 assentos, seguida pela Lista Conjunta com 11. Os partidos Democratas e Ra’am conquistaram oito vagas cada. Outras legendas, como Yisrael Beytenu, Otzma Yehudit e o Judaísmo Unido da Torá, obtiveram sete cadeiras cada, enquanto o Shas e o Sionismo Religioso ficaram com seis assentos cada.

Ao todo, 11 listas de candidatos superaram a cláusula de barreira, fixada em 3,25% dos votos válidos. As demais candidaturas não atingiram o percentual necessário e ficaram de fora do parlamento israelense. A contagem final consolidou a perda de sustentação da direita tradicional e dos partidos ultraortodoxos aliados a Netanyahu.

Primeiro-ministro Benjamin Netanyahu durante pronunciamento em Jerusalém.
Primeiro-ministro Benjamin Netanyahu durante pronunciamento em Jerusalém. (Foto: Reprodução / Imprensa Israelense)

Investigações de segurança e divergências institucionais

A contestação do resultado ganhou tração após uma reunião reservada entre autoridades judiciais e o comando dos serviços de inteligência. O diretor do Shin Bet, David Zini, apresentou dados sobre uma possível atuação externa no processo político. A polícia israelense garantiu que todas as denúncias serão apuradas com rigor, embora tenha ressaltado inicialmente que não havia provas de fraude generalizada.

O comissário de polícia Daniel Levy afirmou que a integridade do processo democrático será defendida. O Comitê Central de Eleições estabeleceu o prazo de uma semana para a conclusão das apurações, antes da data limite de 4 de novembro para a certificação oficial dos resultados da 26ª legislatura do Knesset.

A oposição criticou a tentativa do governo de usar as investigações para manobrar o calendário político. Gadi Eisenkot advertiu que atores políticos não podem explorar a situação para adiar a posse dos parlamentares eleitos. Enquanto isso, o povo trabalhador israelense e palestino assiste a mais uma crise institucional que custa caro aos serviços públicos e perpetua a instabilidade na região.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

Benjamin Netanyahu comanda o governo israelense em meio a sucessivas crises políticas, polarização social extrema e investigações de corrupção. A dependência de coalizões com partidos de extrema-direita e ultraortodoxos marcou seus mandatos recentes, gerando forte resistência popular e atritos institucionais permanentes no país.