Partido de Netanyahu acusa legendas árabes de fraudar eleições em Israel sem apresentar provas

Likud alega crimes eleitorais e uso de softwares proibidos após partidos árabes conquistarem votação histórica no parlamento israelense.

Compartilhar
Partido de Netanyahu acusa legendas árabes de fraudar eleições em Israel sem apresentar provas
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Agência Brasil, CartaCapital, Estadão, G1, InfoMoney). Novos desdobramentos a qualquer momento.

O partido Likud, liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, oficializou nesta quarta-feira uma série de denúncias contra legendas árabes em Israel. A sigla acusa os grupos de terem "roubado" as eleições parlamentares recentes por meio de fraudes, suborno e uso de tecnologias proibidas.

A acusação surge em um momento de extrema tensão política, logo após os partidos árabes alcançarem um desempenho histórico nas urnas. As legendas conquistaram entre 17 e 18 cadeiras no Knesset, o parlamento israelense que possui 120 assentos totais.

O comunicado oficial do Likud afirma que as eleições foram comprometidas por "atos criminosos de corrupção, ameaças, violência e mentiras". O partido sustenta que os adversários utilizaram programas de computador proibidos para mobilizar eleitores de forma irregular.

A ofensiva jurídica e a reação das autoridades

O Likud anunciou que entregará centenas de depoimentos e provas documentais à polícia israelense, ao serviço de inteligência interna e ao Comitê Central Eleitoral. A legenda alega ter identificado irregularidades específicas em seções eleitorais localizadas em comunidades árabes.

Dean Livne, diretor-geral interino da Comissão Central de Eleições, classificou a situação como "incomum". A polícia confirmou a prisão de três pessoas durante a noite sob suspeita de tentativa de compra de votos para o partido Raam.

Durante a operação policial, agentes apreenderam envelopes e cerca de 7,9 mil dólares em espécie. O diretor Livne reforçou que as autoridades detiveram indivíduos que tentavam subornar eleitores antes mesmo da abertura das seções, tratando os casos como isolados.

O líder do Raam, Mansour Abbas, rebateu as acusações de forma contundente. Ele afirmou que Netanyahu mente e incita o ódio contra seu partido apenas para mobilizar sua base eleitoral de direita. Segundo Abbas, o primeiro-ministro utiliza o medo como ferramenta política.

O Knesset, parlamento israelense, enfrenta um impasse após as eleições inconclusivas.
O Knesset, parlamento israelense, enfrenta um impasse após as eleições inconclusivas. (Foto: Divulgação)

O impasse na formação do governo

A contagem aponta que o bloco de direita de Netanyahu soma 53 cadeiras, enquanto o grupo liderado por Gadi Eisenkot possui 48. Nenhum dos lados atingiu o patamar de 61 assentos, necessário para garantir a maioria absoluta no parlamento.

Os partidos árabes, com suas 19 cadeiras projetadas, tornaram-se o fiel da balança na formação do novo governo. Yussef Jabareen, dirigente da Lista Conjunta, declarou que seu grupo está disposto a apoiar um governo que derrube Netanyahu, mas sem integrar formalmente a coalizão.

Jabareen justificou a postura citando a guerra na Faixa de Gaza e a expansão de assentamentos na Cisjordânia. O político considera que a participação direta em um governo sob as circunstâncias atuais é inviável, mas a derrubada do atual premiê permanece como objetivo estratégico.

Netanyahu, intensificou a retórica nos últimos dias. Ele chegou a pedir aos apoiadores que abandonassem atividades de lazer para comparecer às urnas. Adversários políticos acusam o primeiro-ministro de preparar o terreno para contestar o resultado caso a derrota se confirme.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

Este pleito ocorre sob o trauma do atentado de 7 de outubro de 2023, que iniciou a guerra na Faixa de Gaza. O conflito, que resultou em milhares de mortes e sequestros, polarizou profundamente a sociedade israelense e fragilizou a estabilidade política do governo Netanyahu, que agora enfrenta um parlamento fragmentado e acusações de fraude sem provas documentais definitivas.