Polícia identifica mulher que realizou saudação nazista em local de votação no Rio
Professora de inglês de 46 anos foi filmada fazendo gesto nazista após votar no Colégio Santo Inácio; caso é investigado como injúria por preconceito.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, Folha de S.Paulo, G1, Poder360, VEJA). Novos desdobramentos a qualquer momento.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro identificou a mulher filmada realizando uma saudação nazista durante o segundo turno das eleições deste domingo (25). Erica Marques Pinho, de 46 anos, é professora de inglês e foi flagrada por outros eleitores no Colégio Santo Inácio, em Botafogo, zona sul da capital fluminense.
O caso ganhou repercussão após um eleitor judeu, Ian Andrade, de 31 anos, registrar o momento em vídeo. Ele foi alertado por uma amiga que presenciou o gesto logo na entrada da escola. Ao sair da seção eleitoral, a mulher repetiu o ato, o que motivou o confronto direto por parte dos presentes.
Questionada sobre o significado do gesto, Erica confirmou a natureza da saudação. Quando o eleitor revelou ser judeu, a mulher respondeu: “Pior ainda”. O episódio foi registrado na 10ª Delegacia de Polícia (Botafogo) como injúria por preconceito, crime que prevê punições severas na legislação brasileira.
Defesa alega deboche e nega ideologia
Erica Pinho prestou depoimento na delegacia durante a manhã desta segunda-feira (27). Ela permaneceu no local por pouco mais de duas horas e saiu sem prestar declarações à imprensa. O advogado da professora, Marcello Ramalho, apresentou uma versão distinta sobre a motivação do gesto.
Segundo a defesa, a mulher vestia uma camisa do candidato Flávio Bolsonaro (PL) e um boné com a frase “Make America Great Again”, slogan utilizado por Donald Trump. O advogado afirmou que ela teria sido alvo de ofensas verbais por causa das vestimentas. Ele classificou o gesto como um “tom de deboche” às críticas recebidas.
Ramalho declarou que a cliente pedirá desculpas à comunidade judaica. Ele justificou a conduta como um ato impensado ocorrido no “calor da discussão”. A polícia segue analisando as imagens e colhendo depoimentos de testemunhas para concluir o inquérito e encaminhar o caso ao Ministério Público.
Repúdio de instituições e colégio
O Colégio Santo Inácio emitiu nota oficial repudiando o comportamento da eleitora. A instituição reforçou que repudia qualquer manifestação de apologia ao nazismo ou discriminação. O colégio esclareceu que, durante o pleito, o prédio estava sob jurisdição da Justiça Eleitoral, cabendo às autoridades a segurança do local.
A Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (FIERJ) também se manifestou. Em nota pública, a entidade classificou o episódio como “absolutamente inaceitável”. A Federação destacou que o antissemitismo é um crime grave e que a sociedade não pode tolerar gestos que remetem ao período mais sombrio da história da humanidade.
O episódio ocorre em um momento de alta tensão política no país. O uso de símbolos associados a regimes autoritários em locais de votação levanta debates sobre os limites da liberdade de expressão. A legislação brasileira é clara ao proibir a apologia ao nazismo, que é punida com reclusão de dois a cinco anos e multa.
A legislação brasileira, por meio da Lei 7.716/89, define como crime a fabricação, comercialização ou veiculação de símbolos nazistas. Nos últimos anos, o Brasil registrou um aumento nas ocorrências de apologia a ideologias extremistas, frequentemente associadas a episódios de intolerância política e religiosa. O Judiciário tem adotado postura rigorosa, tratando tais atos não como liberdade de expressão, mas como crimes contra a dignidade humana.