Morre aos 92 anos juiz Alvin K. Hellerstein, responsável pelo julgamento de Nicolás Maduro nos EUA
Magistrado federal conduzia processo contra o ex-presidente venezuelano e sua esposa e faleceu após quase 30 anos de carreira em Nova York.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, CartaCapital, Estadão, Folha de S.Paulo, G1). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O juiz federal Alvin K. Hellerstein morreu nesta terça-feira (28), aos 92 anos, nos Estados Unidos. Ele era o responsável pelo processo criminal contra o ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores. A morte foi confirmada por Ed Friedland, diretor administrativo do Distrito Sul de Nova York, onde o magistrado atuou por quase três décadas na condução de casos de grande repercussão internacional e interna.
Hellerstein havia marcado para junho de 2027 o julgamento definitivo de Maduro e de Cilia Flores. O casal foi capturado em janeiro durante uma operação militar dos Estados Unidos realizada em Caracas. O processo inclui acusações formais de tortura somadas a uma ação prévia por conspiração para narcoterrorismo.
Audiências tensas e saúde debilitada
Duas semanas antes de morrer, o juiz conduziu a audiência inicial dos réus venezuelanos em Manhattan. Durante a sessão, Maduro se recusou por duas vezes a declarar se considerava culpado ou inocente diante das graves acusações formuladas pela Justiça norte-americana. Diante da recusa do ex-presidente, Hellerstein determinou que fosse registrada formalmente uma declaração de inocência em nome dele.
Em uma audiência anterior sobre a liberdade provisória de Cilia Flores, realizada em 8 de outubro, o magistrado apresentou problemas vocais evidentes e tossiu bastante. Na ocasião, ele explicou aos advogados que enfrentava dificuldades na voz, mas garantiu que continuaria a sessão enquanto suas palavras fossem compreensíveis para as partes envolvidas.
Colegas de magistratura lamentaram o falecimento e destacaram o empenho do juiz até os seus últimos dias de vida. A juíza Laura Taylor Swain descreveu Hellerstein como um jurista distinto e afirmou que ele era muito querido por todos no tribunal estadunidense.
Carreira marcada por casos históricos
Nomeado para a magistratura federal em 1998 pelo então presidente Bill Clinton, Hellerstein acumulou uma vasta trajetória jurídica. Em 2011, passou a integrar a categoria de juiz sênior, situação de aposentadoria parcial que reduz a carga de trabalho habitual. No entanto, a medida não o afastou de disputas judiciais complexas e de enorme interesse público nos tribunais de Nova York.
Ao longo da carreira, ele presidiu os litígios de indenizações destinados a equipes de resgate e vítimas dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Nos tribunais federais, também atuou em processos envolvendo figuras centrais da política interna dos Estados Unidos, como o ex-presidente Donald Trump e o ex-advogado Michael Cohen.
Com o falecimento do magistrado, o processo contra Nicolás Maduro e Cilia Flores será distribuído de forma aleatória a outro juiz da corte federal de Manhattan para dar seguimento aos trâmites legais nos próximos meses.
A captura de Nicolás Maduro em janeiro de 2026 por forças militares dos EUA em Caracas inaugurou uma escalada sem precedentes na intervenção judicial norte-americana sobre chefes de Estado estrangeiros. O processo sob tutela do falecido juiz Hellerstein tornou-se o eixo central das acusações de narcoterrorismo movidas por Washington.