Militantes de direita sugerem boicote até de igrejas no ES após eleição de Lula

Listas de boicote contra comércios, profissionais e igrejas circulam no Espírito Santo após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva.

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Militantes de direita sugerem boicote até de igrejas no ES após eleição de Lula
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (G1, Migalhas, Século Diário, UOL Notícias, VEJA). Novos desdobramentos a qualquer momento.

Grupos de militantes de direita passaram a divulgar listas nas redes sociais para promover o boicote a comércios, profissionais liberais e até igrejas no Espírito Santo. A ofensiva começou logo após a confirmação da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva no último domingo (25). A prática atinge desde grandes redes e postos de combustíveis até pequenos empreendedores e templos religiosos em várias cidades capixabas.

As postagens reúnem nomes de boutiques, restaurantes, lojas de materiais de construção, camelôs, bancos, influenciadores digitais e filiais de marcas nacionais. Em Cachoeiro de Itapemirim, a Catedral de São Pedro, a Rádio Diocesana e paróquias locais entraram na mira dos ataques virtuais. O arcebispo da Diocese, Dom Luiz Fernando Lisboa, assinou recentemente um manifesto de bispos contrários à candidatura de Flávio Bolsonaro, o que motivou a inclusão das instituições religiosas nas listas.

O impacto nos pequenos negócios e a defesa da neutralidade

Empresários citados nas publicações precisaram acionar setores jurídicos para se defender dos prejuízos comerciais. O proprietário da marca de roupas Amabilis, Luis Guidoni, gravou um vídeo para desmentir qualquer vínculo político e criticar a tentativa de rotular o negócio. O dono da Maju Roll Burguer relatou que mantém postura neutra no atendimento a clientes de diferentes posições ideológicas, mas ainda assim sofreu ataques virtuais organizados por apoiadores do bolsonarismo.

Em Baixo Guandu, no Noroeste do estado, um padre pediu durante a missa que os fiéis repensassem o voto na última eleição. O trecho da celebração ganhou repercussão nas redes sociais e dividiu opiniões sobre a manifestação de posições políticas dentro dos templos religiosos. Lojas e restaurantes locais também relataram quedas no movimento devido ao clima de polarização criado pelas listas de restrição comercial.

Comércios capixabas enfrentam tentativas de boicote após o resultado eleitoral.
Comércios capixabas enfrentam tentativas de boicote após o resultado eleitoral. (Foto: Reprodução / G1)

Riscos jurídicos e classificação dos atos como crime

Especialistas em direito apontam que a criação e a propagação dessas listas podem configurar crimes previstos no Código Penal brasileiro. O advogado Lucas Neto explica que a conduta se enquadra nos artigos 147 e 147-A, que tratam de ameaça e perseguição. Na prática, o ato de tentar arruinar financeiramente um trabalhador por causa de sua escolha política representa causar um mal injusto e grave.

Entidades de classe e órgãos jurídicos reagiram com firmeza contra a onda de retaliações políticas no estado. A 6ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil no Espírito Santo publicou uma nota de repúdio à lista que circula em Guaçuí, destacando que a democracia exige o respeito à pluralidade de ideias. O Sindicato dos Trabalhadores em Drogarias e Farmácias alertou que demissões ou recusas de contratação por motivos políticos configuram discriminação e assédio eleitoral no ambiente de trabalho.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

Práticas semelhantes de boicote comercial e perseguição a opositores políticos já haviam sido registradas em larga escala após o pleito presidencial de 2022 no Espírito Santo e em outros estados. Na ocasião, listas apócrifas circularam em aplicativos de mensagens com o objetivo de punir empreendedores suspeitos de apoiarem o campo progressista, gerando denúncias no Ministério Público do Trabalho e investigações policiais por crimes contra a coletividade.