Dólar e juros recuam após disparada pós-eleição; Bolsa fecha em baixa
Após recordes de alta na segunda-feira, mercado financeiro inicia ajuste de posições com foco na política fiscal do novo mandato de Lula.
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O mercado financeiro brasileiro registrou um movimento de correção nesta terça-feira, 27 de outubro de 2026. O dólar comercial recuou 0,97%, fechando o dia cotado a R$ 5,35. O movimento ocorre após a forte alta de 8,21% registrada na segunda-feira, dia seguinte à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Os juros futuros, que indicam a expectativa do mercado para a taxa Selic (o juro básico da economia que define o custo do crédito para o consumidor), também recuaram. O contrato de DI para janeiro de 2028 caiu 48 pontos-base, atingindo 14,34%. O contrato para janeiro de 2031 recuou 37 pontos-base, chegando a 14,91%.
A Bolsa de Valores brasileira, o Ibovespa, destoou do otimismo cambial e fechou em baixa de 0,51%, aos 175.710 pontos. O índice chegou a subir 1,08% durante o pregão, mas perdeu força pressionado principalmente pelas ações da Petrobras. O cenário global também influenciou, com o petróleo Brent em queda de 1,38%, cotado a US$ 113,81.
Ajuste técnico e percepção de risco
Analistas apontam que a queda do dólar reflete um ajuste de posições após a euforia da véspera. Na segunda-feira, a moeda atingiu sua maior alta diária desde 1999. Operadores do mercado financeiro haviam se posicionado majoritariamente para uma vitória de Flávio Bolsonaro, o que gerou uma corrida técnica de compra de dólares quando o resultado das urnas foi confirmado.
Apesar do recuo, o mercado mantém o sinal de alerta sobre a política fiscal do novo governo. Investidores e empresários cobram medidas concretas de controle dos gastos públicos. O temor é que a dívida do país cresça sem controle, o que encarece o crédito e pode forçar o Banco Central a subir ainda mais a taxa Selic para conter a inflação.
O analista Michael Pfister, do Commerzbank, destaca que o mercado busca agora uma acomodação. A questão central para os próximos meses será a capacidade de Lula em implementar ajustes críveis nas contas públicas. A projeção da instituição é que o dólar chegue ao fim do ano cotado a R$ 5,20, caso o governo apresente um plano fiscal sólido.
O impacto no bolso do trabalhador
A volatilidade do dólar afeta diretamente o custo de vida da população. Quando o dólar sobe, produtos importados e itens cotados em moeda estrangeira, como trigo e combustíveis, ficam mais caros. Isso pressiona a inflação e retira o poder de compra das famílias brasileiras.
A alta dos juros futuros, encarece o financiamento de casas, carros e o parcelamento de compras no cartão de crédito. O mercado financeiro, ao cobrar juros mais altos, sinaliza ao governo que o risco de emprestar dinheiro ao Brasil aumentou. Quem paga a conta dessa instabilidade é o consumidor final, que enfrenta crédito mais caro e menor oferta de empregos.
O governo Lula enfrenta agora o desafio de dialogar com um Senado que demonstra forte oposição. A governabilidade dependerá da capacidade de negociação política para aprovar reformas que tragam segurança aos investidores. Sem um acordo fiscal que convença o mercado, a pressão sobre o câmbio e os juros deve continuar nos próximos meses.
A eleição de 2026 foi marcada por intensa polarização e incertezas sobre o rumo da economia. O mercado financeiro reagiu negativamente ao resultado das urnas na segunda-feira, com o Ibovespa sofrendo a maior queda desde o início da pandemia em 2020. O cenário atual é de transição, onde investidores buscam sinais claros sobre a composição da equipe econômica e as diretrizes fiscais do novo mandato petista.