Rogério Marinho afasta tese de fraude eleitoral e classifica carta de Flávio como erro de confecção

Líder do PL recua de acusações golpistas, admite falta de provas e diz que autoproclamação de Flávio como presidente foi falha técnica.

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Rogério Marinho afasta tese de fraude eleitoral e classifica carta de Flávio como erro de confecção
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Estadão, Folha de S.Paulo, G1, O GLOBO, VEJA). Novos desdobramentos a qualquer momento.

O senador Rogério Marinho admitiu nesta terça-feira (28) que o Partido Liberal não possui provas para sustentar alegações de fraude no processo eleitoral. Em entrevista coletiva no Senado, o parlamentar comentou o documento divulgado por Flávio Bolsonaro, no qual o candidato derrotado à Presidência se autodenominava presidente eleito antes de apagar a publicação e alterar os termos para líder do Brasil.

Questionado por jornalistas sobre o teor da manifestação, Marinho afirmou que a legenda e seus representantes legais não podem endossar teorias conspiratórias sem embasamento factual. A declaração ocorre no mesmo dia em que advogados acionaram a Polícia Federal devido ao uso indevido do brasão da República no comunicado original assinado pelo filho do ex-presidente.

A mudança de tom e o erro de confecção

Segundo o dirigente partidário, a carta inicial que trazia o título de presidente eleito passou por alterações devido a problemas técnicos na edição do material. Na primeira versão, divulgada na rede social X, o texto afirmava que criminosos roubaram o pleito e impediram a alternância de poder no país. Meia hora depois, o conteúdo foi substituído por uma mensagem que tratava Flávio apenas como líder da oposição.

Marinho justificou a mudança afirmando que o documento definitivo é aquele que restou publicado nas redes sociais. Para o senador, o colega de partido expressou apenas um desabafo pessoal diante do cenário político adverso. Ele pontuou que o PL reconhece o resultado das urnas, embora mantenha críticas à condução do processo pelas instituições de justiça e controle eleitoral.

A reação contrasta com o discurso adotado por outros setores da base conservadora e por partidos de centro. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, reafirmou a normalidade e a segurança do pleito. Parlamentares como Alessandro Vieira e Randolfe Rodrigues classificaram a ofensiva golpista como um ataque inaceitável às instituições democráticas e ao voto popular.

Fachada do Congresso Nacional, em Brasília, onde parlamentares debatem os desdobramentos políticos.
Fachada do Congresso Nacional, em Brasília, onde parlamentares debatem os desdobramentos políticos. (Foto: Agência Brasil)

A fuga para os EUA e o fim do mandato

Flávio Bolsonaro deixou o território nacional em direção aos Estados Unidos de forma clandestina, em um avião fretado que decolou da Argentina. A viagem ocorreu após o político descumprir uma ordem judicial da Justiça brasileira que determinava a entrega de seus passaportes à Polícia Federal para evitar a evasão do país.

O senador responde a inquéritos que investigam crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas. Entre os alvos das apurações estão transações financeiras ligadas a plataformas de apostas esportivas e o financiamento de produções audiovisuais. Com o término de seu mandato legislativo no final deste ano, ele perderá o foro privilegiado, o que acelera a tramitação dos processos nas instâncias ordinárias do Poder Judiciário.

Apesar da saída voluntária do país, Rogério Marinho tentou blindar o aliado ao afirmar que a permanência no exterior seria uma forma de exílio forçado. O dirigente argumentou que o exercício da oposição ao governo petista seria inviável em solo brasileiro devido a supostas ameaças de prisão. Enquanto isso, o partido tenta reorganizar sua tropa de choque apostando na força da bancada eleita, que contabiliza 28 senadores e 121 deputados federais na próxima legislatura.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

A escalada de contestação institucional liderada por aliados da extrema direita ocorre após a derrota nas urnas para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A tentativa de deslegitimar o sistema eletrônico de votação sem apresentação de provas técnicas repete o modus operandi adotado no ciclo eleitoral anterior, intensificando a pressão sobre os tribunais superiores e gerando atritos internos no próprio campo conservador.