María Corina agradece a Trump após retornar à Venezuela e relata falta de diálogo com Lula

Líder oposicionista volta ao país após operação militar dos EUA em janeiro e defende eleições presidenciais sugeridas para 2027.

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María Corina agradece a Trump após retornar à Venezuela e relata falta de diálogo com Lula
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Brasil de Fato, Correio do Povo, Folha de S.Paulo, G1, Poder360). Novos desdobramentos a qualquer momento.

A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, retornou ao país no último domingo e concedeu sua primeira entrevista coletiva nesta semana. Durante o encontro com jornalistas, ela agradeceu publicamente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, pelo papel central na captura do ex-presidente Nicolás Maduro em janeiro.

Segundo a oposicionista, a ação militar estrangeira abriu o que chamou de passagem para a liberdade da Venezuela. Ela revelou ainda que mantém divergências diplomáticas com o governo brasileiro e que não conseguiu estabelecer um canal de diálogo efetivo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde a sua chegada.

A articulação internacional e a influência de Washington

O retorno de Machado acontece em um cenário de intensa tensão geopolítica na América Latina. Washington mantém uma postura ambígua ao reconhecer o direito da oposicionista de atuar na Venezuela, mas também elogia publicamente a presidente interina Delcy Rodríguez, que comanda a administração atual em Caracas.

Enquanto o governo dos Estados Unidos apoia negociações paralelas entre a gestão de Rodríguez e grupos opositores moderados, o movimento Vente Venezuela, liderado por Machado, cobra maior participação nos rumos institucionais do país. Marco Rubio apresentou recentemente uma sequência de etapas para a transição democrática, estimando que novas eleições presidenciais ocorram apenas em 2027.

"Quero agradecer ao presidente Donald Trump e ao governo dos EUA porque, graças à sua visão e à ação de 3 de janeiro, abriu-se essa passagem para a liberdade", declarou Machado na coletiva, reforçando os laços estreitos com a Casa Branca.

María Corina Machado durante entrevista coletiva após retornar ao território venezuelano.
María Corina Machado durante entrevista coletiva após retornar ao território venezuelano. (Foto: Agência Internacional / Reprodução)

A resposta do chavismo e a plataforma de Delcy Rodríguez

Em contrapartida, a presidente emésita e interina Delcy Rodríguez utilizou a rede nacional para detalhar a plataforma política do governo chavista, focando na estabilidade econômica e institucional. Rodríguez evitou fixar uma data rígida para o pleito presidencial, argumentando que o horizonte político deve ser medido por metas alcançadas e não por prazos no calendário.

"Haverá eleições, todas as que mandam a nossa Constituição, organizadas por uma autoridade eleitoral renovada e com o mundo como testemunha", afirmou Rodríguez em rede nacional, destacando que o processo não pode gerar novos conflitos civis.

No campo econômico, o governo chavista anunciou a assinatura de 61 contratos de hidrocarbonetos sob um novo marco legal, além de negociações para reajustar o salário dos trabalhadores em quatro momentos ao longo de 2027, vinculando os aumentos diretamente ao crescimento do Produto Interno Bruto trimestral.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

A crise institucional na Venezuela escalou drasticamente em janeiro deste ano, quando forças militares dos Estados Unidos realizaram uma operação em território venezuelano para capturar Nicolás Maduro, que hoje responde a acusações de narcotráfico e tortura em tribunais norte-americanos. Desde então, a disputa pelo poder envolveu pressões internacionais cruzadas, sanções econômicas históricas e o rearranjo das forças políticas locais entre a oposição tradicional e a nova configuração do Executivo liderado por Delcy Rodríguez.