Lula convoca Durigan e Moretti para conter pânico no mercado após tombo da Bolsa
Presidente reeleito busca estabilidade após Ibovespa registrar a maior queda desde 1998 e dólar disparar em reação à incerteza sobre a política fiscal.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Estadão, G1, Nexo Jornal, Poder360, UOL Economia). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva convocou uma reunião de emergência no Palácio da Alvorada com seus principais articuladores, Durigan e Moretti. O encontro busca frear a turbulência financeira que atingiu o país na primeira sessão após a confirmação das urnas. O mercado reagiu com pessimismo à vitória petista, temendo um descontrole nos gastos públicos.
O dólar comercial chegou a ser negociado a R$ 5,406 durante o pico da instabilidade, uma alta de 8,31% às 12h34. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, sofreu um tombo de 16% durante a manhã. A B3, bolsa de valores brasileira, precisou interromper as negociações após os contratos futuros do índice registrarem queda de 20% antes da abertura.
Essa desvalorização é a mais severa desde setembro de 1998, quando o índice recuou 15,83%. Investidores cobram medidas concretas de ajuste fiscal, ou seja, cortes nas despesas do governo para garantir que a dívida pública não cresça de forma descontrolada. A incerteza sobre quem comandará o Ministério da Fazenda amplia o nervosismo dos grandes capitais.
A pressão sobre a equipe econômica
Nomes como o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, e o vice-presidente Geraldo Alckmin aparecem como os principais cotados para a pasta da Fazenda. A escolha do ministro é vista como o sinal definitivo sobre o compromisso do governo com a responsabilidade fiscal. O mercado financeiro teme que o aumento de gastos públicos pressione a inflação e force o Banco Central a elevar a taxa Selic.
A taxa Selic é o juro básico da economia. Quando ela sobe, o crédito fica mais caro para o cidadão, encarecendo o financiamento da casa própria e o parcelamento do cartão de crédito. O receio é que a instabilidade atual transborde para a economia real, afetando o poder de compra das famílias e a capacidade de arrecadação de impostos do Estado.
Empresas de capital aberto sentiram o impacto imediato. A Magazine Luiza, por exemplo, registrou queda de quase 60% em suas ações. Esse movimento reflete o medo de que o consumo das famílias diminua caso a economia enfrente um período de juros altos e incerteza política. O governo tenta agora transmitir serenidade para evitar uma fuga maior de investidores.
O cenário externo e o impacto nas commodities
Além da política interna, o cenário global contribui para a volatilidade. O mercado aguarda decisões do Fed, o banco central dos Estados Unidos, que influenciam o fluxo de dólares no mundo todo. No Oriente Médio, as eleições em Israel e a continuidade da guerra em Gaza mantêm os preços do petróleo em patamares elevados, o que pressiona os custos de transporte e combustíveis no Brasil.
O barril do Brent, referência internacional, fechou o dia cotado a US$ 113,81, após recuar 1,38%. A instabilidade nos preços das commodities, produtos básicos como petróleo e minérios, afeta diretamente a balança comercial brasileira. O governo precisa equilibrar a necessidade de investimentos sociais com a manutenção da confiança dos investidores internacionais para evitar uma desvalorização ainda maior do real.
A turbulência ocorre após uma campanha eleitoral marcada pela polarização extrema entre o projeto petista e a oposição. O mercado financeiro, que esperava uma vitória de Flávio Bolsonaro, reagiu negativamente à reeleição de Lula, temendo a reversão de reformas estruturais. O histórico recente mostra que a Bolsa brasileira é extremamente sensível a sinais de desequilíbrio nas contas públicas.