Lula avalia criação de Ministério da Segurança com promotor Lincoln Gakiya e Camilo Santana
Presidente estuda desmembrar pasta da Justiça para dar protagonismo ao combate ao crime organizado; promotor que investiga o PCC admite interesse no cargo.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Band, CNN Brasil, Folha de S.Paulo, Jornal de Brasília, O GLOBO). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva articula a criação de um novo Ministério da Segurança Pública para o seu quarto mandato. A medida visa atender a uma promessa de campanha e dar uma resposta institucional ao avanço do crime organizado no país. Entre os nomes cotados para assumir a pasta, destacam-se o promotor de Justiça Lincoln Gakiya e o senador eleito Camilo Santana.
Lincoln Gakiya, integrante do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público de São Paulo, confirmou que aceitaria o convite. O promotor é reconhecido nacionalmente pela sua atuação de duas décadas contra o PCC (Primeiro Comando da Capital). Sua trajetória inclui o isolamento de lideranças da facção em presídios federais, medida tomada em 2019, que o tornou alvo de ameaças de morte.
O perfil técnico e o desafio político
A escolha de Gakiya serviria como um sinal de endurecimento contra o crime. O promotor defende a integração das forças de segurança estaduais e federais, mas mantém ressalvas sobre classificar facções como organizações terroristas. Para Gakiya, grupos como o PCC e o Comando Vermelho funcionam como máfias, exigindo estratégias de inteligência financeira e isolamento de lideranças. Um fator que facilita sua nomeação é a proximidade de sua aposentadoria, já que a lei impede que integrantes do Ministério Público exerçam cargos de ministro enquanto estiverem na ativa.
Nomes como o de Camilo Santana e Rui Costa também figuram na lista de possibilidades. Ambos possuem experiência administrativa e contam com a confiança direta de Lula. Aliados do presidente argumentam que, para uma pasta tão sensível, o ministro precisa ter um histórico de lealdade e resultados testados pelo próprio governo. A escolha entre um perfil técnico, como o de Gakiya, e um perfil político, como o de Camilo, definirá o tom da gestão da segurança nos próximos anos.
Orçamento e a PEC da Segurança
A viabilidade do novo ministério depende da aprovação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança no Senado. O texto é uma das prioridades do Palácio do Planalto para ser votado ainda este ano. A PEC transfere novas competências de gestão da segurança pública para o governo federal, permitindo que a área seja desmembrada do Ministério da Justiça. A estrutura completa da pasta, contudo, pode ser postergada para 2027 devido a limitações orçamentárias.
O governo busca equilibrar a promessa de campanha com a realidade das contas públicas. A criação da pasta exige orçamento próprio, o que demanda negociações intensas com o Congresso Nacional. Lula tem reforçado o lema de que, para o trabalhador, o governo oferece proteção, enquanto para o criminoso, a resposta é a prisão. A estratégia visa conter o desgaste político que o tema da segurança gerou durante o período eleitoral.
A discussão sobre um ministério exclusivo para a Segurança Pública é um tema recorrente na política brasileira, ganhando força após o aumento da violência urbana e a expansão das facções criminosas. Historicamente, o tema esteve sob a alçada do Ministério da Justiça, mas a complexidade do crime organizado moderno pressiona o governo por uma estrutura dedicada e com orçamento próprio.